Vista aérea de Alfredo Chaves (ES). Foto: Expedia.
Uma base política que perdeu cinco eleições seguidas para prefeito venceu as 42 seções de 2024 (58,1% dos votos válidos) sem que o comparecimento mudasse: os dados indicam que a virada veio de eleitores que já votavam, em todo o território. Feita só com dados abertos, a reconstrução serve de método para qualquer município brasileiro.
O título é uma referência a “Como Nossos Pais”, de Belchior (1976, imortalizada na voz de Elis Regina), uma das canções mais marcantes da MPB. Ela fala de quem insiste em viver preso ao passado e não percebe que o novo sempre chega, mais cedo ou mais tarde. Aqui esse tema ganha um sentido literal: os dados deste estudo mostram, seção a seção, ano a ano, vinte anos de uma velha guarda política que resistiu a cinco eleições seguidas antes de finalmente ser substituída. Uma metamorfose do poder, e, dentro dela, a distância real entre a candidatura derrotada do meu pai em 2004 e a vitória do meu irmão duas décadas depois.
Antes da virada de 2020→2024 documentada abaixo, esse mesmo município conta uma história mais longa. De 2004 a 2020, o grupo por trás desta candidatura perdeu cinco eleições consecutivas para prefeito em Alfredo Chaves, ES. Em 2004 o candidato foi Jorge Gabriel Meneghel, meu pai. A linhagem familiar e política atravessa cada ciclo desde então, até chegar no meu irmão Hugo Luiz em 2024. O gráfico abaixo é montado com os mesmos dados oficiais do TSE por seção eleitoral, em cada uma das seis eleições, e mostra a votação fechando o intervalo, ciclo a ciclo, até 2024.
Gráfico de linhas com a votação para prefeito do grupo e da principal candidatura de oposição em seis eleições, de 2004 a 2024. O grupo vai de 26,4% em 2004 a 48,0% em 2016, cai a 40,0% em 2020 e chega a 58,1% em 2024; a oposição fica acima do grupo até 2020 (de 66,9% a 56,4%) e cai a 31,9% em 2024. Pontos azuis mostram os demais candidatos (Luiz Teixeira e Nelsão Togneri em 2004, Armando Zanata em 2020 e Boldrini em 2024), e uma lista nomeia todos os candidatos de cada eleição.
resultado oficial do TSE; o ponto marca o lado: verde = grupo, vermelho = principal oposição, azul = demais candidatos
| Ano | Candidato | Partido | Votos | % dos votos válidos | Resultado |
|---|---|---|---|---|---|
| 2004 | Dr. Fernando | PSB | 5.330 | 66,9% | Eleito |
| 2004 | Jorge Meneghel | PT | 2.107 | 26,4% | Não eleito |
| 2004 | Luiz Teixeira | PV | 299 | 3,8% | Não eleito |
| 2004 | Nelsão Togneri | PFL | 236 | 3,0% | Não eleito |
| 2008 | Dr. Fernando | PSB | 5.996 | 66,9% | Eleito |
| 2008 | Daniel Orlandi | PSDB | 2.969 | 33,1% | Não eleito |
| 2012 | Roberto Fiorin | PSB | 5.615 | 63,6% | Eleito |
| 2012 | Sergio Bianchi | PSD | 3.215 | 36,4% | Não eleito |
| 2016 | Dr. Fernando | PSB | 5.019 | 52,0% | Eleito |
| 2016 | Ronaldo Bianchi | PMDB | 4.641 | 48,0% | Não eleito |
| 2020 | Dr. Fernando | PSB | 5.196 | 56,4% | Eleito |
| 2020 | Ronaldo Bianchi | Republicanos | 3.681 | 40,0% | Não eleito |
| 2020 | Armando Zanata | PDT | 336 | 3,6% | Não eleito |
| 2024 | Hugo Luiz | PP | 5.779 | 58,1% | Eleito |
| 2024 | Rolmar Boteccia | PSB | 3.177 | 31,9% | Não eleito |
| 2024 | Boldrini | PL | 999 | 10,0% | Não eleito |
Atuei como diretor de campanha na eleição municipal de 2024 em Alfredo Chaves (ES), pela candidatura majoritária ao cargo de prefeito de Hugo Luiz Picoli Meneghel. Não estive à frente da campanha de 2020: uso os dados públicos daquele ano só como ponto de comparação, para medir a distância entre as duas eleições. Naquele ano a chapa perdeu a eleição para prefeito, vencendo em apenas 1 das 36 seções eleitorais então existentes; Hugo Luiz já havia sido eleito vereador no mesmo pleito, mas integrando uma bancada de apenas 3 das 9 cadeiras, minoria na Câmara Municipal. Em 2024, coordenando também as campanhas dos demais candidatos a vereador da coligação, a mesma base política venceu em todas as 42 seções eleitorais do município: Hugo Luiz se tornou o prefeito mais jovem da história do Espírito Santo, e a bancada da chapa cresceu de 3 para 5 das 9 cadeiras da Câmara, de minoria para maioria do legislativo local.
Este documento reconstrói essa virada inteiramente a partir de dados abertos e oficiais do TSE, sem depender de memória, planilhas internas de campanha ou qualquer registro não público. É um exercício de análise técnica sobre uma base de dados eleitoral real.
Todos os números deste estudo vêm de extratos do Portal de Dados Abertos do TSE, filtrados para o município de Alfredo Chaves – ES (código TSE 56057), zona eleitoral 012, para as seis eleições municipais de 2004 a 2024. A Tabela 3.1 (seção 03) mostra o que existe em cada ano:
votacao_secao_ANO_ES.csv: votação por seção eleitoral, de 2004 a 2024 (de 1.229 linhas em 2004 a 2.089 em 2024, após o filtro municipal)votacao_candidato_munzona_ANO_ES.csv: resultado consolidado por candidato, de 2004 a 2024 (de 45 a 73 registros por eleição, somando candidatos a prefeito, a vice-prefeito e a vereador)votacao_partido_munzona_2020/2024_ES.csv: votação de legenda por partido, só em 2020 e 2024 (9 e 11 registros)detalhe_votacao_munzona_ANO_ES.csv: comparecimento, abstenção e votos brancos/nulos, de 2004 a 2024prestacao_de_contas_eleitorais_candidatos_ANO.csv (receitas e despesas pagas, de 2004 a 2024): extraído via HTTP range requests de um arquivo nacional de ~1,3 GB, sem baixar o arquivo inteirobem_candidato_ANO_ES.csv: patrimônio declarado pelos candidatos, de 2008 a 2024perfil_eleitor_secao_ANO_ES.csv: perfil do eleitorado por seção (gênero, faixa etária, escolaridade), de 2008 a 2024consulta_cand_ANO_ES.csv: cadastro de candidaturas, de 2004 a 2024 (gênero, data de nascimento, escolaridade e ocupação; a cor ou raça só consta a partir de 2016)Várias seções deste estudo cruzam ou citam fontes fora do repositório do TSE, sempre identificadas no ponto em que aparecem:
Os extratos brutos passam por cinco etapas antes de qualquer análise comparativa: um pipeline padrão de ingestão, limpeza e carga, implementado em Python (pandas), com a camada analítica em SQL (SQLite). Um banco SQLite reúne as seis eleições (votos por seção, candidatos, comparecimento e distritos) e cinco consultas em SQL reproduzem os resultados centrais do estudo; um script confere cada resultado contra o pipeline em pandas. As análises de financiamento, patrimônio, perfil e IBGE leem os CSVs filtrados diretamente em pandas, com as mesmas regras de limpeza. Os gráficos interativos que ilustram o estudo são escritos em TypeScript (React e Recharts) e estilizados em CSS.
;, UTF-8), tipagem bruta como textovotos_secao, candidatos, detalhe_votacao, local_secao, grupo_eleicao) e 2 viewsquadro de cobertura das bases do TSE usadas neste estudo
| Ano | Seções eleitorais | Candidatos | Receitas e despesas | Patrimônio declarado | Perfil do eleitorado | Votos de legenda | Perfil dos candidatos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Prefeito | Vereador | |||||||
| 2004 | 33 | 4 | 40 | Sim | Não | Não | Não | Sim |
| 2008 | 34 | 2 | 41 | Sim | Sim | Sim | Não | Sim |
| 2012 | 34 | 2 | 64 | Sim | Sim | Sim | Não | Sim |
| 2016 | 36 | 2 | 61 | Sim | Sim | Sim | Não | Sim |
| 2020 | 36 | 3 | 69 | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim |
| 2024 | 42 | 3 | 70 | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim |
-- seções vencidas pelo grupo, por ano (sql/02_secoes_vencidas.sql, 2004 a 2024) SELECT ano, COUNT(*) AS secoes, SUM(CASE WHEN votos_grupo > 0 AND votos_grupo = max_secao THEN 1 ELSE 0 END) AS secoes_vencidas FROM v_prefeito_secao -- votos válidos: exclui brancos (95) e nulos (96) GROUP BY ano -- resultado: 2020 = 1 de 36 seções; 2024 = 42 de 42
-- vencedor de cada seção, por ano (maior nº de votos nominais ao cargo de Prefeito) SELECT NR_SECAO, NM_VOTAVEL, SUM(QT_VOTOS) AS votos FROM secao_2024 WHERE DS_CARGO = 'Prefeito' AND NR_VOTAVEL > 0 GROUP BY NR_SECAO, NM_VOTAVEL -- (idêntica para secao_2020; vencedor = MAX(votos) por NR_SECAO)
A junção 2020 ⋈⋈ 2024 por número de seção permite comparar apenas as 36 seções presentes em ambas as eleições (6 novas seções foram criadas até 2024, refletindo crescimento do eleitorado, e entram na análise apenas como resultado de 2024).
Em 2020, a candidatura majoritária desta base política venceu em apenas 1 das 36 seções comparáveis (seção 9), obtendo 40,0% dos votos válidos no município (3.681 votos), contra 56,4% do candidato eleito. Em 2024, a mesma base, agora sob a coligação “Renovação e Juventude” (Republicanos / PP / MDB / Federação PSDB‑Cidadania), venceu nas 42 seções do município, com 58,1% dos votos válidos (5.779 votos).
Gráfico de linhas conectando o percentual de votos do candidato a prefeito em cada seção eleitoral, 2020 à esquerda e 2024 à direita, mostrando quase todas as linhas subindo de baixo do corte de 50% para cima.
Das 36 seções comparáveis, 31 passaram de minoria (<50%) para maioria absoluta (≥50%) dos votos válidos entre uma eleição e outra, uma virada de 17,9 pontos percentuais em média nessas seções.
Grade com todas as 42 seções eleitorais numeradas, coloridas por categoria: seções que viraram de derrota para vitória, a única já vencida em 2020, e seções novas criadas até 2024.
Gráfico de barras comparando o total de votos válidos do candidato a prefeito em 2020 (3.681 votos, 40,0%) e em 2024 (5.779 votos, 58,1%).
Os dados de consulta_cand mostram que o candidato do grupo nunca disputou pelo mesmo partido duas vezes em vinte anos: PT em 2004, PSDB em 2008, PSD em 2012, PMDB em 2016, Republicanos em 2020, PP em 2024. O espectro ideológico também se moveu, de um partido de esquerda em 2004 para partidos de centro e direita a partir de 2012, acompanhando o realinhamento nacional da política brasileira no período. Não parece ter sido uma escolha isolada de estratégia local.
O tamanho da coligação, porém, não explica a vitória sozinho: em 2016, o candidato concorreu pela maior coligação de toda a série (9 partidos) e mesmo assim perdeu, com 48,0% dos votos. Em 2020, com a menor coligação (3 partidos), também perdeu. A coligação de 2024 (5 partidos: Republicanos, PP, MDB e Federação PSDB‑Cidadania) tem tamanho mediano na série, nem a maior nem a menor.
Do lado adversário, o padrão é o oposto. Nas cinco eleições perdidas por este grupo, entre 2004 e 2020, quem venceu foi sempre o PSB: Dr. Fernando levou 2004, 2008, 2016 e 2020, e Roberto Fiorin, também PSB, levou 2012, quatro mandatos e dois nomes diferentes sob a mesma legenda, vinte anos seguidos. Essa sequência só se rompe em 2024, quando Rolmar Boteccia tenta manter o PSB no poder e perde para o PP de Hugo Luiz. Ou seja, enquanto o lado que perdia trocava de partido a cada pleito, o lado que vencia tinha uma legenda estável havia duas décadas. Foi justamente essa estabilidade que quebrou em 2024, junto com o resultado.
o candidato do grupo e o vencedor da disputa, eleição a eleição
| Ano | Partido do grupo | Espectro | Partidos | Coligação |
|---|---|---|---|---|
| 2004 | PT | Esquerda | 5 | PPS / PT / PSDB / PTN / PT do B |
| 2008 | PSDB | Centro-direita | 5 | PTB / PSDB / PMDB / PT do B / PPS |
| 2012 | PSD | Centro-direita | 6 | PT / PTB / PMDB / PPS / DEM / PSD |
| 2016 | PMDB | Centro | 9 | PMDB / PPS / PSD / PTB / PT / PDT / PATRIOTA / REDE / DEM |
| 2020 | Republicanos | Direita | 3 | PTB / REPUBLICANOS / PATRIOTA |
| 2024 | PP | Direita | 5 | REPUBLICANOS / PP / MDB / Federação PSDB‑Cidadania |
| Ano | Vencedor | Partido | Espectro | Partidos | Coligação |
|---|---|---|---|---|---|
| 2004 | Dr. Fernando | PSB | Centro-esquerda | 5 | PSB / PP / PTB / PL / PMN |
| 2008 | Dr. Fernando | PSB | Centro-esquerda | 7 | PR / PP / PRTB / PV / PRB / PHS / PSB |
| 2012 | Roberto Fiorin | PSB | Centro-esquerda | 6 | PRB / PP / PDT / PR / PSB / PSDB |
| 2016 | Dr. Fernando | PSB | Centro-esquerda | 9 | PSB / PROS / PMN / PSDB / PP / PSC / PR / PTN / PV |
| 2020 | Dr. Fernando | PSB | Centro-esquerda | 7 | PP / PSL / PODE / CIDADANIA / DEM / PSB / PSDB |
| 2024 | Hugo Luiz (grupo) | PP | Direita | 5 | REPUBLICANOS / PP / MDB / Federação PSDB‑Cidadania |
consulta_cand, campo DS_COMPOSICAO_COLIGACAO, TSE, por ano. Espectro classificado pelo partido de registro da candidatura (legenda principal), não pela coligação inteira. Linha em verde é a única vitória da série; as outras cinco são derrota (o tamanho da coligação de cada uma está discutido no texto acima).Fonte: consulta_cand, campos SG_PARTIDO, DS_COMPOSICAO_COLIGACAO e DS_SIT_TOT_TURNO, TSE, por ano. Espectro classificado pelo partido de registro do vencedor, não pela coligação inteira.Alfredo Chaves tem 7 distritos oficiais: a sede e mais seis distritos rurais (Crubixá, Ibitiruí, Matilde, Ribeirão do Cristo, Sagrada Família e São Bento de Urânia). Cruzamos o local de votação de cada seção, e por ele o distrito, com a votação do candidato do grupo em cada uma das seis eleições, para ver se a virada foi uniforme pelo território ou concentrada em algum canto do município.
Mapa dos sete distritos de Alfredo Chaves, cada um colorido entre vermelho e verde conforme o percentual dos votos para prefeito recebido pelo candidato do grupo, com um botão para cada eleição de 2004 a 2024, e uma tabela com os mesmos percentuais. Em 2024 o grupo passa de 47% em todos os distritos e de 50% em seis dos sete; em 2020 só Ribeirão do Cristo ficou acima de 50%. Acima do mapa, uma lista nomeia todos os candidatos a prefeito da eleição escolhida; ao tocar ou passar o mouse em um distrito, aparece a votação de cada um.
Fonte: votacao_secao, TSE, todas as seis eleições. Distrito de cada seção determinado pelo local de votação de 2024, cruzado com a lista oficial de localidades da Prefeitura de Alfredo Chaves. Os números de seção são estáveis ao longo do tempo neste município (só entram seções novas, nenhuma é renumerada), então o local de 2024 vale para todos os anos em que aquela seção existiu. Percentuais ponderados pelo total de votos válidos de cada seção. Limites dos distritos: IBGE, malha de distritos do Censo 2022. A divisão em sete distritos (Alfredo Chaves, Crubixá, Ibitiruí, Matilde, Ribeirão do Cristo, Sagrada Família e Urânia, chamado São Bento de Urânia na lista da prefeitura) consta do Plano Municipal de Saneamento Básico, item 5.1 (Lei Municipal nº 633/2017, revogada pela Lei nº 668/2019), com base no IBGE.
O mesmo cruzamento seção→distrito, agora para a chapa completa de vereador do grupo (todos os candidatos da coligação, eleitos ou não — 35 nomes em 2020, 30 em 2024, identificados pelo partido de registro), como % dos votos válidos para vereador em cada distrito. Só dá pra fazer para 2020 e 2024: foram as duas únicas eleições em que a candidatura da família também lançou chapa de vereador.
Mapa de calor com 7 distritos de Alfredo Chaves nas linhas e 2020/2024 nas colunas, mostrando o percentual dos votos válidos para vereador que foram na chapa do grupo. Ribeirão do Cristo lidera nos dois anos (56,5% em 2020, 69,9% em 2024). Sagrada Família e São Bento de Urânia saltam de cerca de 30% em 2020 para mais de 49% em 2024. Sede fica estável em torno de 40% nos dois anos.
Fonte: votacao_secao e consulta_cand (campos SG_PARTIDO, SQ_CANDIDATO), TSE, cargo Vereador, 2020 e 2024. Mesma atribuição seção→distrito da Figura 6. Chapa do grupo definida pelos partidos da coligação de prefeito de cada ano (Republicanos/PTB/Patriota em 2020; Republicanos/PP/PSDB em 2024), cruzados por SQ_CANDIDATO — não por nome, que varia entre os extratos de candidato e de seção.
Os percentuais das Figuras 6 e 6.1 escondem o tamanho de cada distrito. Os gráficos abaixo mostram os votos totais para prefeito em cada eleição, de 2004 a 2024, com uma linha para o candidato do grupo, outra para a principal oposição e pontos para os demais candidatos; a lista acima dos gráficos nomeia todos. Cada distrito tem escala própria: a Sede reúne cerca de dois terços dos votos válidos, e os outros seis distritos são pequenos demais para dividir o mesmo eixo.
Sete gráficos de linhas, um por distrito, com os votos totais de cada candidato a prefeito em cada eleição de 2004 a 2024: uma linha para o candidato do grupo, outra para a principal oposição e pontos para os demais candidatos.
Fonte: votacao_secao, TSE, cargo Prefeito, 2004 a 2024, com brancos e nulos excluídos. Mesma atribuição seção→distrito da Figura 6.
A Câmara de Alfredo Chaves tem 9 cadeiras. Em 2020, a base política de Hugo Luiz Picoli Meneghel, então candidato a vereador pelo PTB na coligação majoritária “Mudança com Transparência” (PTB / Republicanos / Patriota), elegeu apenas 3 vereadores contra 6 de partidos adversários (coligação vencedora para prefeito: PP / PSB / PSDB, entre outros): minoria clara. Em 2024, com a coordenação de campanha estendida a todos os candidatos a vereador da coligação “Renovação e Juventude” (Republicanos / PP / PSDB), a bancada da chapa cresceu para 5 de 9 cadeiras, maioria simples, ainda que apertada.
Gráfico de barras horizontais empilhadas comparando a composição da Câmara Municipal: em 2020, 3 cadeiras da chapa (verde) contra 6 de adversários (vermelho); em 2024, 5 cadeiras da chapa contra 4 de adversários, virando de minoria para maioria.
Somando a votação nominal de todos os candidatos a vereador da chapa (eleitos e não eleitos), o crescimento também aparece na urna, não só nas cadeiras:
Gráfico de barras comparando o total de votos somados de todos os candidatos a vereador da chapa: 3.427 votos (38,8% do pleito) em 2020 contra 4.206 votos (43,8% do pleito) em 2024.
Nos dois gráficos abaixo, verde identifica os vereadores eleitos pela chapa de Hugo Luiz (mesma base política nas duas eleições); vermelho, os eleitos por partidos adversários.
Gráfico de barras horizontais com os 9 vereadores eleitos em 2020, coloridos por lado: 3 da chapa de Hugo Luiz em verde, 6 de adversários em vermelho.
Gráfico de barras horizontais com os 9 vereadores eleitos em 2024, coloridos por lado: 5 da chapa em verde, 4 de adversários em vermelho.
Prefeito e vereador são votos separados na mesma cédula: um eleitor pode escolher o candidato do grupo para prefeito e um adversário para vereador, ou vice-versa. Cruzamos, seção por seção, o percentual de votos válidos no candidato do grupo para prefeito com o percentual somado de votos válidos nos candidatos do grupo para vereador, em 2020 e em 2024.
Dois gráficos de dispersão lado a lado, um para 2020 e outro para 2024, cada ponto uma seção eleitoral, cruzando o percentual de votos válidos no candidato do grupo para prefeito com o percentual somado de votos válidos nos candidatos do grupo para vereador. A correlação (r) é 0,66 em 2020 e 0,57 em 2024, com linha de tendência tracejada em cada painel.
Fonte: votacao_secao, TSE, 2020 e 2024. “Do grupo”, para vereador, definido pelos mesmos partidos da nota metodológica abaixo. Correlação de Pearson (r) sobre o percentual de votos válidos por seção; inclui votos de legenda (voto de partido sem indicar candidato), atribuídos ao partido votado.
Dados da prestação de contas eleitorais do TSE (receitas e despesas declaradas por cada candidato, incluindo adversários) e do detalhamento de apuração (comparecimento e abstenção) completam o quadro: a virada não veio de um eleitorado maior, e a receita mobilizada pela candidatura do grupo só foi a maior entre os concorrentes em 2024. Nas cinco derrotas anteriores, o vencedor declarou de 1,5 a 4,4 vezes mais receita que o candidato do grupo. Ainda assim, a campanha do grupo converteu o recurso em voto com mais eficiência que qualquer outro candidato ao cargo em 2008, 2012, 2016, 2020 e 2024; em 2004 foi a segunda mais eficiente. As duas figuras abaixo mostram todos os candidatos a prefeito das seis eleições.
Seis gráficos de barras horizontais, um por eleição, com a receita declarada por cada candidato a prefeito de 2004 a 2024. Em 2024, Hugo Luiz (PP, eleito) declarou R$155.597, Boldrini (PL) R$141.130 e Rolmar Boteccia (PSB) R$119.400; em 2020, Dr. Fernando (PSB, eleito) R$108.642, Ronaldo Bianchi (Republicanos) R$53.120 e Armando Zanata (PDT) R$32.722. Nas eleições anteriores o vencedor declarou mais que o candidato do grupo.
Seis gráficos de barras horizontais, um por eleição, com a eficiência de investimento por voto (despesa paga dividida por votos) de cada candidato a prefeito de 2004 a 2024. O candidato do grupo foi o mais eficiente, com o menor gasto por voto, em 2008 (R$13,36), 2012 (R$2,19), 2016 (R$10,65), 2020 (R$13,58) e 2024 (R$26,69); em 2004, Dr. Fernando teve R$6,38 e Jorge Meneghel, R$7,44.
Gráfico de barras horizontais comparando a origem das receitas da chapa em 2020 e 2024, por categoria: recursos de partido político, recursos próprios, pessoas físicas e outros candidatos.
Entre 2020 e 2024, o eleitorado apto cresceu apenas 4,6% (12.294 → 12.860) e o comparecimento às urnas ficou praticamente estável: 79,15% em 2020, 79,74% em 2024. Como o candidato da chapa cresceu 57% em votos absolutos (3.681 → 5.779) enquanto o eleitorado total mal se moveu, a virada foi predominantemente conversão de eleitores que já votavam, não mobilização de novos votantes.
Gráfico de barras horizontais empilhadas comparando comparecimento e abstenção do eleitorado apto: 9.731 compareceram e 2.563 se abstiveram em 2020 (79,15%); 10.255 compareceram e 2.605 se abstiveram em 2024 (79,74%).
Olhando as seis eleições, porém, o comparecimento não é estável: caiu de forma constante, de 91,8% em 2004 para os 79-80% de 2020 e 2024. A base de eleitores aptos cresceu 39% no mesmo período (2004: 9.247, 2024: 12.860), mas o número de gente que efetivamente votou cresceu bem menos, 20,8% (2004: 8.492, 2024: 10.255), porque uma fatia cada vez maior dos aptos deixou de comparecer.
Gráfico de linha mostrando o percentual de comparecimento às urnas em Alfredo Chaves, eleição para prefeito, ao longo de seis eleições: 91,84% em 2004, 90,32% em 2008, 86,95% em 2012, 85,20% em 2016, 79,15% em 2020 e 79,74% em 2024, uma queda constante que só estabiliza nas duas últimas eleições.
Fonte: detalhe_votacao_munzona, TSE, cargo Prefeito, todas as seis eleições (2004 a 2024).
O perfil demográfico do eleitorado (dados de perfil_eleitor_secao, TSE) também ficou estável ao longo do tempo. A divisão por gênero vem convergindo lentamente para a paridade a cada eleição: 51,7% homens / 48,2% mulheres em 2008, 51,1% / 48,8% em 2012, 50,6% / 49,3% em 2016, 50,2% / 49,7% em 2020, e 49,9% / 50,0% em 2024 (o TSE não publicou esse dado para 2004). Praticamente meio a meio desde sempre, com uma leve e constante tendência à maioria feminina.
Para entender se o crescimento do eleitorado (9.247 aptos em 2004 → 12.860 em 2024, +39%) reflete o município crescendo, cruzamos os dados do TSE com as estimativas populacionais anuais do IBGE (SIDRA, tabela 6579, código do município 3200300). A resposta é não: a população estimada de Alfredo Chaves ficou praticamente estável no período (14.113 em 2004, ~14.373 em 2024), até com quedas em alguns anos. O eleitorado não cresceu porque o município cresceu. Cresceu porque uma fatia cada vez maior da população já residente passou a estar registrada para votar.
Gráfico de linha mostrando o percentual da população estimada pelo IBGE que está registrada para votar em Alfredo Chaves: 65,5% em 2004, 72,7% em 2008, 80,7% em 2012, 79,6% em 2016, 84,0% em 2020, 89,5% em 2024.
QT_APTOS do TSE por ano.O Censo Demográfico 2022 do IBGE (SIDRA, tabelas 9514 e 9605) permite ir além da população total e cruzar sexo e raça ou cor com quem de fato concorre. A população de Alfredo Chaves é 49,3% mulheres e 50,7% homens, 61,4% branca, 34,3% parda e 4,2% preta, números muito próximos aos do eleitorado registrado, que também caminha para a paridade de gênero. Entre quem concorre, porém, o quadro diverge: dos 69 candidatos a vereador em 2020, 37,7% eram mulheres; em 2024, entre 70 candidatos, essa fatia caiu para 32,9%, o oposto da tendência do eleitorado, que se aproxima cada vez mais dos 50%. Os candidatos a prefeito ficam de fora desses percentuais: são só três por eleição, e em 2020 e em 2024 os três eram homens.
Gráfico de barras comparando o percentual de mulheres em quatro grupos: população do IBGE em 2022 (49,3%), eleitorado do TSE em 2024 (50,0%), candidatas a vereador em 2020 (37,7%) e em 2024 (32,9%).
A composição racial das candidaturas a vereador segue um padrão parecido. Em 2020, candidatos brancos eram 59,4% do total, perto dos 61,4% da população do município. Em 2024 essa proporção subiu para 68,6%, enquanto candidatos pardos caíram de 30,4% para 22,9%: um afastamento em relação à composição racial de Alfredo Chaves, ainda que a fatia de candidatos pretos tenha crescido ligeiramente (7,2% → 8,6%). Entre os candidatos a prefeito, os três de 2020 eram brancos; em 2024, dois dos três eram brancos e um, pardo.
Gráfico de barras agrupadas comparando raça ou cor declarada entre população do IBGE em 2022, candidatos a vereador de 2020 e candidatos a vereador de 2024, nas categorias branca, parda e preta. Branca: 61,4% população, 59,4% candidatos 2020, 68,6% candidatos 2024. Parda: 34,3% população, 30,4% candidatos 2020, 22,9% candidatos 2024. Preta: 4,2% população, 7,2% candidatos 2020, 8,6% candidatos 2024.
Esta seção sai da base de dados do TSE e usa uma fonte diferente: o histórico de posts do Instagram oficial da candidatura (@hugoluiz11_), do dia da filiação ao partido até o resultado da eleição. Não é dado público auditável como o resto deste estudo. É o próprio arquivo da campanha, revisado post a post a partir de capturas de tela exportadas do aplicativo, com data, visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos de cada publicação. Tratamos os números como o time de campanha os viu em tempo real: uma métrica de alcance orgânico e engajamento, não de intenção de voto.
A linha do tempo cobre seis marcos: a filiação ao Progressistas em 27 de março de 2024; o lançamento da pré-candidatura em 7 de junho; o anúncio do vice-prefeito Cleber Bianchi, na convenção partidária de 3 de agosto; a disputa pública em torno de uma pesquisa suspensa em 22 de setembro; a vitória em 6 de outubro; e o post de agradecimento pelos 5.779 votos, publicado horas depois do resultado: o post de maior engajamento de toda a campanha.
Gráfico de dispersão mostrando as visualizações de cada post do Instagram da candidatura entre março e outubro de 2024, com tendência de alta: de cerca de 9,3 mil visualizações no post de filiação até picos acima de 40 mil visualizações na reta final e no resultado.
Gráfico de barras mostrando o engajamento médio (curtidas mais comentários mais compartilhamentos) por fase da campanha: 533 na filiação, 223 na pré-campanha, 232 no lançamento, 308 na campanha, 308 na reta final, e 1.201 no resultado.
Classificamos cada um dos 166 posts identificados por tipo de conteúdo, para entender não só quando o alcance cresceu, mas o que a campanha efetivamente postava. Eventos de rua e caminhadas são o formato mais comum (quase um terço dos posts), seguidos por propostas de governo, posts de coligação e comunicação administrativa de rotina do mandato de vereador (convocações de sessão da Câmara, que a campanha publicava aos pares: um convite antes, um vídeo de esclarecimento depois). Mas o volume não é o mesmo que engajamento: testemunhos e depoimentos de eleitores, que aparecem bem menos, engajam bem mais que a média, mais de quatro vezes a comunicação administrativa de rotina.
Dois gráficos de barras horizontais. À esquerda, número de posts por categoria: 49 eventos ou caminhadas, 26 propostas de governo, 19 de coligação, 18 posts administrativos, 13 testemunhos, 10 respostas a ataques, 7 pesquisas, 7 contagens regressivas, 6 datas comemorativas, 4 de resultado, 3 marcos, 3 de repercussão na mídia, 1 de filiação. À direita, engajamento médio por categoria, do maior para o menor: resultado (1.201), marco (601), filiação (533), pesquisa (394), testemunho (366), evento (315), resposta a ataque (298), coligação (296), proposta (280), data comemorativa (267), mídia (248), contagem regressiva (169), administrativo (85).
Dados de consulta_cand e bem_candidato (TSE) trazem idade, escolaridade, ocupação e patrimônio declarado de cada candidato: informação pública, prestada por lei a cada eleição. A Tabela 8.1 reúne os 16 candidatos a prefeito das seis eleições, de 2004 a 2024, e as Figuras 23 e 24 os comparam. O contraste com Hugo Luiz é o mais nítido do estudo inteiro.
idade no dia da eleição, escolaridade e ocupação do cadastro de candidatura, patrimônio declarado ao TSE
| Ano | Candidato | Idade | Escolaridade | Ocupação declarada | Patrimônio declarado |
|---|---|---|---|---|---|
| 2004 | Dr. Fernando (PSB) | 56 | Superior completo | Médico | — |
| 2004 | Jorge Meneghel (PT) | 37 | Superior completo | Professor de 1º e 2º graus | — |
| 2004 | Luiz Teixeira (PV) | 50 | Superior completo | Advogado | — |
| 2004 | Nelsão Togneri (PFL) | 41 | Médio completo | Técnico em edificações | — |
| 2008 | Dr. Fernando (PSB) | 60 | Superior completo | Médico | R$ 53.416 |
| 2008 | Daniel Orlandi (PSDB) | 40 | Médio completo | Agricultor | R$ 15.000 |
| 2012 | Roberto Fiorin (PSB) | 53 | Superior completo | Servidor público federal | R$ 284.406 |
| 2012 | Sergio Bianchi (PSD) | 50 | Fundamental incompleto | Vereador | R$ 20.000 |
| 2016 | Dr. Fernando (PSB) | 68 | Superior completo | Médico | R$ 410.500 |
| 2016 | Ronaldo Bianchi (PMDB) | 54 | Médio completo | Empresário | R$ 428.561 |
| 2020 | Dr. Fernando (PSB) | 72 | Superior completo | Prefeito | R$ 620.761 |
| 2020 | Ronaldo Bianchi (Republicanos) | 58 | Médio completo | Empresário | R$ 366.381 |
| 2020 | Armando Zanata (PDT) | 64 | Médio incompleto | Empresário | R$ 1.380.000 |
| 2024 | Hugo Luiz (PP) | 25 | Superior completo | Advogado | R$ 29.573 |
| 2024 | Rolmar Boteccia (PSB) | 71 | Médio completo | Pecuarista | R$ 718.421 |
| 2024 | Boldrini (PL) | 61 | Médio completo | Comerciante | R$ 0 |
Seis gráficos de barras horizontais, um por eleição, com a idade de cada candidato a prefeito no dia da eleição, de 2004 a 2024. Em 2020: Dr. Fernando 72, Armando Zanata 64 e Ronaldo Bianchi 58; em 2024: Rolmar Boteccia 71, Boldrini 61 e Hugo Luiz 25.
Hugo Luiz tinha 25 anos no dia da eleição de 2024, é advogado, formado em Direito pela UFES, e, segundo o cadastro do TSE, é branco e solteiro. Os outros dois candidatos a prefeito daquele ano tinham 61 e 71 anos.
Cinco gráficos de barras horizontais, um por eleição de 2008 a 2024, com o patrimônio declarado de cada candidato a prefeito. Em 2020: Armando Zanata R$1,38 milhão, Dr. Fernando R$621 mil e Ronaldo Bianchi R$366 mil; em 2024: Rolmar Boteccia R$718 mil, Hugo Luiz R$29,5 mil e Boldrini R$0. A base de 2004 não traz bens.
O TSE mantém um sistema próprio de registro de pesquisas eleitorais (pesqele‑divulgacao.tse.jus.br), exigido pelo art. 33 da Lei 9.504/97. Para Alfredo Chaves em 2024 constam 9 pesquisas registradas, por 5 empresas diferentes, entre abril e setembro. Abrimos e lemos o conteúdo de todos os 9 editais de publicação em PDF. Vale registrar um limite real dos dados públicos: o TSE não publica o resultado (percentual de intenção de voto por candidato) nesses editais, apenas a confirmação formal do registro (empresa, protocolo, data, abrangência). Quem divulga o resultado é a empresa contratante, tipicamente via um veículo de imprensa local.
Linha do tempo com as 9 pesquisas eleitorais registradas para Alfredo Chaves em 2024, de 19/04 a 27/09, por 5 empresas diferentes, com o dia da eleição (06/10/2024) marcado em verde.
Localizamos o documento original de 6 das 9 pesquisas: os relatórios completos que cada instituto produziu para o contratante, com metodologia, amostra e margem de erro. Duas delas (16/abr e 21/set) também haviam sido divulgadas à imprensa; as outras quatro são dado real, mas de circulação restrita, nunca publicado por veículo de imprensa:
Os seis pontos com dado real não usam a mesma base de cálculo: a pesquisa de 29–31/08 e o resultado oficial de 06/10 somam 100% entre os três nomes citados, mas as de 20–21/09, 27–29/09 e 01–02/10 deixam de 9,6 a 23,75 pontos percentuais sem atribuir a ninguém, sinal de que essas três reportam o percentual sobre o total de entrevistados (incluindo indecisos), não sobre os votos válidos entre os candidatos citados. Normalizamos essas três para somar 100% entre os nomes perguntados. A pesquisa de 16/04 é diferente: tinha só 2 vias (Boldrini ainda não era candidato), e normalizar um cenário de 2 nomes infla artificialmente os dois existentes, então esse ponto entra no gráfico com o valor bruto, como no documento original.
Gráfico de linha mostrando a intenção de voto estimulada de Hugo Luiz (verde) em 54,8% (abril, valor bruto de uma disputa de 2 vias), 57,4% (agosto), 58,1% (21/set), 62,6% (28/set), 57,0% (2/out) e 58,05% no resultado final; Rolmar Botecchia (vermelho) entre 21,3% e 32,6%; Boldrini (cinza, tracejado) entre 10,0% e 21,3% a partir de agosto; e um ponto isolado de 17/set marcado como atípico, com Rolmar em 60,0% e Hugo em 25,8%.
* Resultado destoante das outras 5 pesquisas e do resultado final; documento sem número de registro TSE ou instituto identificado.
Esses dados são de pesquisa de opinião, não de urna, e por isso ficam fora do pipeline oficial baseado em dados do TSE que sustenta o resto deste estudo. Ainda assim, ajudam a fechar o quadro. Em março de 2026, já no segundo ano de mandato, o Instituto de Pesquisas e Estatística do Espírito Santo (IPESES) ouviu 405 eleitores da sede e dos distritos de Alfredo Chaves (11 e 12/03/2026, margem de erro de 4,9 p.p., 95% de confiança, cotas por sexo e idade).
Fontes: Aqui Notícias, Imprensa Capixaba e Informe Capixaba, todas de março de 2026, divulgando a mesma pesquisa do IPESES.
Tabela completa com o percentual de votos válidos da candidatura a prefeito em cada seção eleitoral, nas duas eleições, e o local físico de votação de cada seção em 2024 (escola, salão comunitário ou igreja, conforme cadastro oficial do TSE). Linhas destacadas em verde indicam seções que passaram de derrota para maioria absoluta. Votos e totais por seção estão no detalhamento bruto do repositório; aqui, o percentual já conta a história.
| Seção | Local de votação | % 2020 | % 2024 | Variação | |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | EMEF ANA ARAÚJO | 37.8% | 52.1% | +14.3 p.p. | virou |
| 2 | EMEF ANA ARAÚJO | 42.4% | 54.3% | +11.9 p.p. | virou |
| 3 | EMEF ANA ARAÚJO | 41.1% | 51.3% | +10.2 p.p. | virou |
| 4 | EMEF ANA ARAÚJO | 40.9% | 57.7% | +16.8 p.p. | virou |
| 5 | EMEF ANA ARAÚJO | — | 57.5% | — | seção nova |
| 6 | EEEFM CAMILA MOTA | 42.8% | 54.6% | +11.8 p.p. | virou |
| 7 | EEEFM CAMILA MOTA | 42.1% | 57.3% | +15.2 p.p. | virou |
| 8 | EEEFM CAMILA MOTA | 45.5% | 54.4% | +8.9 p.p. | virou |
| 9 | EMEF FAZENDA APARECIDA | 58.2% | 72.3% | +14.1 p.p. | |
| 10 | EEEF DE CRUBIXÁ | 32.5% | 44.6% | +12.1 p.p. | |
| 11 | EEEF DE CRUBIXÁ | 34.5% | 44.8% | +10.3 p.p. | |
| 12 | EMEF ENGANO | 42.2% | 63.2% | +21.0 p.p. | virou |
| 13 | EMEF ENGANO | 37.5% | 63.4% | +25.9 p.p. | virou |
| 14 | SALÃO DA IGREJA CATÓLICA DE SÃO FRANCISCO DE BATATAL | 47.4% | 52.7% | +5.3 p.p. | virou |
| 15 | SALÃO DA IGREJA DE SÃO MARTINHO | 35.9% | 53.1% | +17.2 p.p. | virou |
| 16 | PRÉDIO DA ANTIGA ESCOLA ALMERINDA BRUNORO | 36.2% | 43.9% | +7.7 p.p. | |
| 17 | EMEF FELIPE MODOLO | 46.9% | 65.7% | +18.8 p.p. | virou |
| 18 | EMEF FELIPE MODOLO | 40.2% | 62.0% | +21.8 p.p. | virou |
| 19 | SALÃO COMUNITÁRIO DE NOVA ESTRELA | 35.4% | 55.0% | +19.6 p.p. | virou |
| 20 | SALÃO DA IGREJA CATÓLICA DE CACHOEIRA ALTA | 37.8% | 57.0% | +19.2 p.p. | virou |
| 21 | EMUEF QUARTO TERRITÓRIO | 31.1% | 55.9% | +24.8 p.p. | virou |
| 22 | EMEF SAGRADA FAMÍLIA | 31.6% | 58.0% | +26.4 p.p. | virou |
| 23 | EMEF SAGRADA FAMÍLIA | 32.8% | 57.5% | +24.7 p.p. | virou |
| 24 | SALÃO COMUNITÁRIO DE SÃO BENTO DE URÂNIA | 44.5% | 68.8% | +24.3 p.p. | virou |
| 25 | EMEF FELIPE MODOLO | 27.8% | 48.2% | +20.4 p.p. | |
| 26 | EEUEF VILA NOVA DE MARAVILHA | 43.8% | 64.7% | +20.9 p.p. | virou |
| 27 | EEEFM CAMILA MOTA | 45.3% | 55.7% | +10.4 p.p. | virou |
| 28 | SALÃO DA IGREJA DE SÃO MARTINHO | 39.8% | 55.8% | +16.0 p.p. | virou |
| 29 | SALÃO COMUNITÁRIO DE SÃO BENTO DE URÂNIA | 43.5% | 63.7% | +20.2 p.p. | virou |
| 30 | EEEFM CAMILA MOTA | 38.1% | 54.9% | +16.8 p.p. | virou |
| 31 | EEEFM CAMILA MOTA | 39.6% | 59.7% | +20.1 p.p. | virou |
| 33 | EEEFM CAMILA MOTA | — | 56.2% | — | seção nova |
| 34 | EEEFM CAMILA MOTA | 44.4% | 59.5% | +15.1 p.p. | virou |
| 35 | EEEFM CAMILA MOTA | 46.4% | 52.0% | +5.6 p.p. | virou |
| 37 | CRECHE COMECINHO DE GENTE | 43.4% | 57.2% | +13.8 p.p. | virou |
| 38 | CRECHE PEQUERRUCHOS | — | 63.8% | — | seção nova |
| 39 | CRECHE PEQUERRUCHOS | — | 68.3% | — | seção nova |
| 40 | SALÃO PAROQUIAL DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO | 43.6% | 67.1% | +23.5 p.p. | virou |
| 41 | SALÃO PAROQUIAL DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO | 40.5% | 60.3% | +19.8 p.p. | virou |
| 85 | CRECHE PEQUERRUCHOS | 29.8% | 63.3% | +33.5 p.p. | virou |
| 96 | SALÃO COMUNITÁRIO DE SÃO BENTO DE URÂNIA | — | 78.9% | — | seção nova |
| 98 | EMEF FELIPE MODOLO | — | 57.3% | — | seção nova |
As 42 seções eleitorais de Alfredo Chaves se distribuem por 18 locais físicos de votação, entre a sede e os distritos rurais do município, todos identificados no cadastro oficial do TSE:
| # | Local de votação | Endereço | Seções atendidas |
|---|---|---|---|
| 1 | CRECHE COMECINHO DE GENTE | AV. DARCY DE PAULA GAIGHER, S/N | 37 |
| 2 | CRECHE PEQUERRUCHOS | RUA ANTÔNIO CLAUDIO GAIGHER, 19 | 38, 39, 85 |
| 3 | EEEF DE CRUBIXÁ | R. PRINCIPAL, S/ Nº | 10, 11 |
| 4 | EEEFM CAMILA MOTA | R. NELSON DA COSTA MELLO, S/ N | 6, 7, 8, 27, 30, 31, 33, 34, 35 |
| 5 | EEUEF VILA NOVA DE MARAVILHA | R. PRINCIPAL, S/ Nº | 26 |
| 6 | EMEF ANA ARAÚJO | R. EXPEDICIONARIO OSVALDO SAUDINO | 1, 2, 3, 4, 5 |
| 7 | EMEF ENGANO | R. PRINCIPAL, S/N | 12, 13 |
| 8 | EMEF FAZENDA APARECIDA | R. PRINCIPAL, S/ Nº | 9 |
| 9 | EMEF FELIPE MODOLO | R. PRINCIPAL, S/ N | 17, 18, 25, 98 |
| 10 | EMEF SAGRADA FAMÍLIA | R. PRINCIPAL, S/ N | 22, 23 |
| 11 | EMUEF QUARTO TERRITÓRIO | RUA PRINCIPAL, S/N | 21 |
| 12 | PRÉDIO DA ANTIGA ESCOLA ALMERINDA BRUNORO | R. PRINCIPAL, S/ N | 16 |
| 13 | SALÃO COMUNITÁRIO DE NOVA ESTRELA | R. PRINCIPAL, S/ N | 19 |
| 14 | SALÃO COMUNITÁRIO DE SÃO BENTO DE URÂNIA | R. PRINCIPAL, S/ N | 24, 29, 96 |
| 15 | SALÃO DA IGREJA CATÓLICA DE CACHOEIRA ALTA | R. PRINCIPAL, S/ N | 20 |
| 16 | SALÃO DA IGREJA CATÓLICA DE SÃO FRANCISCO DE BATATAL | RUA PRINCIPAL, S/ N | 14 |
| 17 | SALÃO DA IGREJA DE SÃO MARTINHO | R. PRINCIPAL, S/ N | 15, 28 |
| 18 | SALÃO PAROQUIAL DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO | AV. GETULIO VARGAS, 545 | 40, 41 |
Os números no mapa correspondem à coluna # da tabela acima. Em geocodificação por endereço oficial (a maioria dos endereços rurais do TSE não tem numeração, apenas “Rua Principal, S/Nº”), os locais da sede do município (marcadores próximos entre si, no centro do mapa) são aproximados e ligeiramente espalhados apenas para não se sobreporem; os locais dos distritos rurais correspondem à localidade identificada.
Clique em um número no mapa para ver o local de votação.
Mapa-base: © colaboradores do OpenStreetMap. Coordenadas por geocodificação (Photon/Komoot) dos nomes de local e distrito do cadastro do TSE.
A leitura seção a seção, e depois distrito a distrito, mostra que a virada de 2024 fecha um arco de vinte anos e seis eleições: da candidatura de 2004 até a vitória de 2024, duas décadas depois. A votação do grupo cresceu em quase todos os ciclos, com uma única queda pontual em 2020, e o resultado de 2024 não se concentrou em poucos redutos: foi disseminado por praticamente todo o território eleitoral do município, das 42 seções aos 7 distritos, com ganho médio de mais de 20 pontos percentuais nas seções onde houve inversão de maioria entre 2020 e 2024. Isso é consistente com uma estratégia de capilaridade territorial mais do que de reforço em bases já favoráveis: a única seção já vencida em 2020 (seção 9) teve ganho adicional relativamente modesto (+13,7 p.p.) frente às seções que partiram de derrota, e até o distrito historicamente mais resistente ao grupo, Ribeirão do Cristo, saiu de 8,8% em 2004 para 72,3% em 2024.
A ampliação da coordenação de campanha em 2024, incluindo pela primeira vez as candidaturas a vereador, coincide com uma segunda virada, agora no Legislativo: a mesma base política que elegeu Hugo Luiz vereador em 2020, com apenas 3 de 9 cadeiras (minoria isolada), passou a controlar 5 de 9 cadeiras em 2024 (maioria simples), com crescimento de 22,7% na votação somada dos candidatos da chapa. Isso sugere um efeito de arrasto entre a disputa majoritária e a proporcional, embora esta análise não isole causalidade entre as duas frentes. O que os cenários de 2028 não fazem está na seção 11; os limites do estudo e a posição de quem o escreve, na seção 12.
analysis/cenarios_2028.R), com os mesmos dados do TSE e do IBGE do restante do estudo.
O eleitorado cresce de forma quase linear: 9.247 eleitores aptos em 2004 e 12.860 em 2024. Estendendo essa reta até 2028 (regressão linear com seis pontos), o cenário base é de 13.767 eleitores aptos, com faixa de 80% de 13.091 a 14.443. Com o comparecimento e a proporção de votos válidos entre os valores de 2020 e 2024 (79,1% a 79,7% de comparecimento; 94,7% a 97,1% de votos válidos entre os presentes), isso dá cerca de 10.486 votos válidos (de 9.810 a 11.180), contra 9.955 em 2024.
Gráfico de barras dos votos válidos para prefeito de 2004 a 2024 e do cenário base de 2028, com 10.486 votos válidos.
Em Alfredo Chaves vence quem tiver mais votos: não há segundo turno em município com menos de 200 mil eleitores. Por isso o piso para liderar depende do terceiro candidato. Sem terceiro, o grupo precisa de mais de 50% dos votos válidos; com um terceiro em 10%, como em 2024, basta passar de 45%. Partindo dos 58,1% de 2024, a queda máxima suportada é de −8,1 p.p. sem terceiro candidato, −10,6 p.p. com um terceiro em 5% e −13,1 p.p. com um em 10%.
Gráfico de linhas com a margem de votos do grupo sobre a oposição em 2028 para oscilações de −20 a +5 pontos, em três cenários de terceiro candidato.
a partir dos 58,1% de 2024, com 10.486 votos válidos em 2028 (cenário base)
| Terceiro candidato | Piso para liderar | Votos (cenário base) | Maior queda suportada |
|---|---|---|---|
| Sem terceiro candidato | 50,0% | 5.243 | −8,1 p.p. |
| Terceiro com 5% dos votos | 47,5% | 4.981 | −10,6 p.p. |
| Terceiro com 10% (como em 2024) | 45,0% | 4.719 | −13,1 p.p. |
analysis/cenarios_2028.R) sobre resumo_prefeito_2004_2024.csv. Piso = (100 − terceiro) / 2, o percentual a partir do qual o grupo supera a principal oposição.Como régua, o próprio histórico: entre eleições consecutivas, o percentual do grupo oscilou de −8,0 a +18,1 p.p. (média de +6,3; desvio-padrão de 9,8, com apenas cinco oscilações). Se a oscilação de 2028 seguisse esse desvio em torno de zero, o resultado ficaria entre 45,6% e 70,6% em 80% dos casos: uma faixa larga demais para ser chamada de previsão, e que inclui justamente o piso de 45% a 50%.
Aplicando a mesma oscilação a todos os distritos (uma hipótese irreal, mas útil para ver onde a vantagem é mais frágil), o grupo mantém mais de 50% em 6 dos sete distritos com uma queda de 5 pontos e em 3 com uma queda de 10. A Sede, que reúne cerca de dois terços dos votos válidos, perde a maioria absoluta entre −5 e −10 p.p.: é nela que a liderança se decide.
Mapa dos sete distritos coloridos entre vermelho e verde pelo percentual do grupo em cada cenário de oscilação, com um botão por oscilação de −20 a +5 pontos.
O código que gera todos os números desta seção:
# analysis/cenarios_2028.R (R base, sem pacotes extras) m_aptos <- lm(aptos ~ ano, data = compar) # tendência linear do eleitorado pred <- predict(m_aptos, data.frame(ano = 2028), interval = "prediction", level = 0.80) votos_validos <- aptos * comparecimento * validos_sobre_comp share_grupo <- share_2024 + oscilacao # oscilação uniforme, em p.p. share_oposicao <- 100 - share_grupo - terceiro # terceiro candidato: 0, 5 ou 10% margem <- (share_grupo - share_oposicao) / 100 * votos_validos
O estudo descreve o que os dados públicos mostram. Há coisas que eles não mostram, e quem lê precisa saber quais são antes de tirar conclusões.
Fui diretor da campanha de 2024, sou filho de um candidato de 2004 e irmão do candidato eleito em 2024. Isso pode inclinar as escolhas do que analisar e de como enquadrar o resultado. Para reduzir o risco, usei só dados públicos e reproduzíveis, sem planilhas ou registros internos da campanha; deixei o código no repositório para quem quiser refazer as contas com os mesmos extratos; mantive no estudo os resultados desfavoráveis ao grupo (as cinco derrotas consecutivas, de 2004 a 2020); e usei linguagem neutra, “grupo” e “oposição”. Isso não elimina o viés. Só permite que ele seja conferido.
Este quadro liga cada habilidade a um trecho verificável do estudo e do repositório. Nada aqui deixa de poder ser conferido no código ou nos dados.
| Habilidade | O que foi feito | Onde ver |
|---|---|---|
| SQL | Banco SQLite com as seis eleições (5 tabelas e 2 views) e cinco consultas com CTEs, funções de janela e junções, conferidas automaticamente contra o pipeline em pandas. | Seção 03; pasta sql/ e scripts/sql_estudo.py |
| Pipeline e qualidade dos dados | Ingestão de extratos do TSE e do IBGE que mudam de formato entre 2004 e 2024, regras de limpeza explícitas e cobertura declarada. A conferência cruzada entre SQL e pandas apontou e corrigiu um erro de base nos percentuais por seção (brancos e nulos dentro do total). | Seções 02 e 03; Tabela 3.1 |
| Visualização | Gráficos interativos em TypeScript, React e Recharts, mapa dos distritos com polígonos do IBGE, texto alternativo nos gráficos, leitura em celular e PDF gerado da própria página. | Seções 04 a 11 |
| Estatística | Variações em pontos percentuais por seção e distrito, coerência entre o voto para prefeito e para vereador em cada seção, cenários de sensibilidade para 2028 em R com hipóteses declaradas e limites de inferência explícitos. | Seções 05, 11 e 12 |
| Narrativa com dados | Arco de vinte anos (cinco derrotas, a virada, o território, o financiamento, os cenários), figuras numeradas com legenda que dá a conclusão, versões em português e inglês e conflito de interesse declarado. | Seções 00 a 12 |
| Reprodutibilidade | Cada número liga a um extrato público do TSE ou do IBGE, os passos de execução estão no repositório e os resultados desfavoráveis ao grupo foram mantidos. | Seções 02 e 12; README do repositório |