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Vista aérea da área urbana de Alfredo Chaves (ES), entre montanhas cobertas de mata.Vista aérea de Alfredo Chaves (ES). Foto: Expedia.
Estudo de caso: análise de dados eleitorais

A metamorfose do poder em Alfredo Chaves:não vivemos mais como nossos pais

Uma base política que perdeu cinco eleições seguidas para prefeito venceu as 42 seções de 2024 (58,1% dos votos válidos) sem que o comparecimento mudasse: os dados indicam que a virada veio de eleitores que já votavam, em todo o território. Feita só com dados abertos, a reconstrução serve de método para qualquer município brasileiro.

Autor: João Victor Meneghel Município: Alfredo Chaves – ES Eleições: Municipais, 2004 a 2024 Fonte: TSE e IBGE
1 → 42
seções eleitorais vencidas pela candidatura a prefeito, de 2020 para 2024 (de um total de 42 seções ativas em 2024)
40,0% → 58,1%
votos válidos (sem brancos e nulos) do candidato a prefeito no município, no primeiro turno de cada eleição
3/9 → 5/9
cadeiras da chapa na Câmara Municipal (de minoria em 2020 a maioria em 2024, mesma base política)
Sobre o título

Não vivemos mais como nossos pais

O título é uma referência a “Como Nossos Pais”, de Belchior (1976, imortalizada na voz de Elis Regina), uma das canções mais marcantes da MPB. Ela fala de quem insiste em viver preso ao passado e não percebe que o novo sempre chega, mais cedo ou mais tarde. Aqui esse tema ganha um sentido literal: os dados deste estudo mostram, seção a seção, ano a ano, vinte anos de uma velha guarda política que resistiu a cinco eleições seguidas antes de finalmente ser substituída. Uma metamorfose do poder, e, dentro dela, a distância real entre a candidatura derrotada do meu pai em 2004 e a vitória do meu irmão duas décadas depois.

00.1 · Vinte anos de dados

Cinco derrotas e a virada

Antes da virada de 2020→2024 documentada abaixo, esse mesmo município conta uma história mais longa. De 2004 a 2020, o grupo por trás desta candidatura perdeu cinco eleições consecutivas para prefeito em Alfredo Chaves, ES. Em 2004 o candidato foi Jorge Gabriel Meneghel, meu pai. A linhagem familiar e política atravessa cada ciclo desde então, até chegar no meu irmão Hugo Luiz em 2024. O gráfico abaixo é montado com os mesmos dados oficiais do TSE por seção eleitoral, em cada uma das seis eleições, e mostra a votação fechando o intervalo, ciclo a ciclo, até 2024.

Figura 0.1Votação do grupo e da principal candidatura de oposição, 2004–2024

Gráfico de linhas com a votação para prefeito do grupo e da principal candidatura de oposição em seis eleições, de 2004 a 2024. O grupo vai de 26,4% em 2004 a 48,0% em 2016, cai a 40,0% em 2020 e chega a 58,1% em 2024; a oposição fica acima do grupo até 2020 (de 66,9% a 56,4%) e cai a 31,9% em 2024. Pontos azuis mostram os demais candidatos (Luiz Teixeira e Nelsão Togneri em 2004, Armando Zanata em 2020 e Boldrini em 2024), e uma lista nomeia todos os candidatos de cada eleição.

Em cinco eleições consecutivas a principal candidatura de oposição superou o grupo, com a distância caindo de 66,9% a 26,4% em 2004 para 52,0% a 48,0% em 2016. Em 2024 a relação se inverte: o candidato do grupo obtém 58,1% e a principal oposição, 31,9%. Os pontos azuis são os demais candidatos: Luiz Teixeira (PV) e Nelsão Togneri (PFL) em 2004, Armando Zanata (PDT) em 2020 e Boldrini (PL) em 2024; em 2008, 2012 e 2016 só houve dois candidatos. A lista sob o gráfico nomeia todos, e a Tabela 0.1 traz os votos.
Tabela 0.1Todos os candidatos a prefeito, 2004–2024
QUEM DISPUTOU CADA ELEIÇÃO

resultado oficial do TSE; o ponto marca o lado: verde = grupo, vermelho = principal oposição, azul = demais candidatos

AnoCandidatoPartidoVotos% dos votos válidosResultado
2004Dr. FernandoPSB5.33066,9%Eleito
2004Jorge MeneghelPT2.10726,4%Não eleito
2004Luiz TeixeiraPV2993,8%Não eleito
2004Nelsão TogneriPFL2363,0%Não eleito
2008Dr. FernandoPSB5.99666,9%Eleito
2008Daniel OrlandiPSDB2.96933,1%Não eleito
2012Roberto FiorinPSB5.61563,6%Eleito
2012Sergio BianchiPSD3.21536,4%Não eleito
2016Dr. FernandoPSB5.01952,0%Eleito
2016Ronaldo BianchiPMDB4.64148,0%Não eleito
2020Dr. FernandoPSB5.19656,4%Eleito
2020Ronaldo BianchiRepublicanos3.68140,0%Não eleito
2020Armando ZanataPDT3363,6%Não eleito
2024Hugo LuizPP5.77958,1%Eleito
2024Rolmar BotecciaPSB3.17731,9%Não eleito
2024BoldriniPL99910,0%Não eleito
Percentuais sobre os votos válidos (sem brancos e nulos). Em 2004 quatro candidatos disputaram a prefeitura; em 2008, 2012 e 2016, dois; em 2020 e 2024, três.
Divulgação completa. Jorge Gabriel Meneghel, candidato em 2004, é meu pai. Hugo Luiz, vencedor em 2024, é meu irmão, e eu dirigi a campanha dele naquele ano. O projeto nasceu desse trabalho; o pipeline de dados veio depois, para entender o que realmente moveu o resultado.
01 · Contexto

Uma eleição, mesma base política

Atuei como diretor de campanha na eleição municipal de 2024 em Alfredo Chaves (ES), pela candidatura majoritária ao cargo de prefeito de Hugo Luiz Picoli Meneghel. Não estive à frente da campanha de 2020: uso os dados públicos daquele ano só como ponto de comparação, para medir a distância entre as duas eleições. Naquele ano a chapa perdeu a eleição para prefeito, vencendo em apenas 1 das 36 seções eleitorais então existentes; Hugo Luiz já havia sido eleito vereador no mesmo pleito, mas integrando uma bancada de apenas 3 das 9 cadeiras, minoria na Câmara Municipal. Em 2024, coordenando também as campanhas dos demais candidatos a vereador da coligação, a mesma base política venceu em todas as 42 seções eleitorais do município: Hugo Luiz se tornou o prefeito mais jovem da história do Espírito Santo, e a bancada da chapa cresceu de 3 para 5 das 9 cadeiras da Câmara, de minoria para maioria do legislativo local.

Este documento reconstrói essa virada inteiramente a partir de dados abertos e oficiais do TSE, sem depender de memória, planilhas internas de campanha ou qualquer registro não público. É um exercício de análise técnica sobre uma base de dados eleitoral real.

02 · Fonte dos dados

Repositório de Dados Eleitorais do TSE

Todos os números deste estudo vêm de extratos do Portal de Dados Abertos do TSE, filtrados para o município de Alfredo Chaves – ES (código TSE 56057), zona eleitoral 012, para as seis eleições municipais de 2004 a 2024. A Tabela 3.1 (seção 03) mostra o que existe em cada ano:

Nota de transparência. A continuidade entre as duas candidaturas majoritárias (2020 a 2024) é reconstruída a partir de coincidências verificáveis nos dados oficiais: mesma base partidária local (Republicanos/PTB), e o vencedor de 2024, Hugo Luiz Picoli Meneghel, aparece nos dados de 2020 como candidato a vereador eleito pela coligação derrotada naquele ano. Nenhum número foi estimado, projetado ou inventado: onde um dado não estava disponível publicamente, ele foi omitido em vez de aproximado. Única exceção: a seção 11, cujos cenários para 2028 são hipóteses declaradas, calculadas em R.

Fontes complementares

Várias seções deste estudo cruzam ou citam fontes fora do repositório do TSE, sempre identificadas no ponto em que aparecem:

03 · Metodologia

Pipeline de tratamento de dados

Os extratos brutos passam por cinco etapas antes de qualquer análise comparativa: um pipeline padrão de ingestão, limpeza e carga, implementado em Python (pandas), com a camada analítica em SQL (SQLite). Um banco SQLite reúne as seis eleições (votos por seção, candidatos, comparecimento e distritos) e cinco consultas em SQL reproduzem os resultados centrais do estudo; um script confere cada resultado contra o pipeline em pandas. As análises de financiamento, patrimônio, perfil e IBGE leem os CSVs filtrados diretamente em pandas, com as mesmas regras de limpeza. Os gráficos interativos que ilustram o estudo são escritos em TypeScript (React e Recharts) e estilizados em CSS.

01
Ingestão
Leitura dos CSVs oficiais (separador ;, UTF-8), tipagem bruta como texto
02
Limpeza
Conversão de tipos (zona, seção, votos), normalização de nomes e cargos, remoção de colunas administrativas
03
Normalização
Padronização de chaves (seção, zona, ano) para permitir a junção entre eleições
04
Carga
Escrita em SQLite das seis eleições: 5 tabelas (votos_secao, candidatos, detalhe_votacao, local_secao, grupo_eleicao) e 2 views
05
Análise SQL
Cinco consultas (CTEs, funções de janela, junções), conferidas automaticamente contra o pandas
Tabela 3.1Dados disponíveis em cada eleição
O QUE HÁ EM CADA ELEIÇÃO

quadro de cobertura das bases do TSE usadas neste estudo

AnoSeções eleitoraisCandidatosReceitas e despesasPatrimônio declaradoPerfil do eleitoradoVotos de legendaPerfil dos candidatos
PrefeitoVereador
200433440SimNãoNãoNãoSim
200834241SimSimSimNãoSim
201234264SimSimSimNãoSim
201636261SimSimSimNãoSim
202036369SimSimSimSimSim
202442370SimSimSimSimSim
Comparações entre as seis eleições (resultado, comparecimento, financiamento, distritos) usam as colunas completas. A chapa de vereador por distrito e os votos de legenda só existem para 2020 e 2024; patrimônio e perfil do eleitorado começam em 2008; o perfil dos candidatos (idade, escolaridade, ocupação) existe para as seis eleições. Onde a base não cobre um ano, o estudo não estima: omite. As colunas de candidatos contam as candidaturas registradas a prefeito e a vereador, separadas; os vice-prefeitos ficam de fora.

Limpeza e normalização (pandas)

Figura 1clean_secao(): trecho do pipeline
-- seções vencidas pelo grupo, por ano (sql/02_secoes_vencidas.sql, 2004 a 2024)
SELECT ano, COUNT(*) AS secoes,
       SUM(CASE WHEN votos_grupo > 0 AND votos_grupo = max_secao THEN 1 ELSE 0 END) AS secoes_vencidas
FROM v_prefeito_secao   -- votos válidos: exclui brancos (95) e nulos (96)
GROUP BY ano
-- resultado: 2020 = 1 de 36 seções; 2024 = 42 de 42

Análise comparativa (SQL)

Figura 2seções vencidas pelo grupo, por ano
-- vencedor de cada seção, por ano (maior nº de votos nominais ao cargo de Prefeito)
SELECT NR_SECAO, NM_VOTAVEL, SUM(QT_VOTOS) AS votos
FROM secao_2024
WHERE DS_CARGO = 'Prefeito' AND NR_VOTAVEL > 0
GROUP BY NR_SECAO, NM_VOTAVEL
-- (idêntica para secao_2020; vencedor = MAX(votos) por NR_SECAO)

A junção 2020 ⋈⋈ 2024 por número de seção permite comparar apenas as 36 seções presentes em ambas as eleições (6 novas seções foram criadas até 2024, refletindo crescimento do eleitorado, e entram na análise apenas como resultado de 2024).

04 · Principais achados

Da derrota generalizada à vitória em todas as urnas

Em 2020, a candidatura majoritária desta base política venceu em apenas 1 das 36 seções comparáveis (seção 9), obtendo 40,0% dos votos válidos no município (3.681 votos), contra 56,4% do candidato eleito. Em 2024, a mesma base, agora sob a coligação “Renovação e Juventude” (Republicanos / PP / MDB / Federação PSDB‑Cidadania), venceu nas 42 seções do município, com 58,1% dos votos válidos (5.779 votos).

Figura 3% de votos por seção, 2020 vs. 2024

Gráfico de linhas conectando o percentual de votos do candidato a prefeito em cada seção eleitoral, 2020 à esquerda e 2024 à direita, mostrando quase todas as linhas subindo de baixo do corte de 50% para cima.

Cada linha é uma seção eleitoral. Em 2020 quase todas ficam abaixo dos 50% (derrota); em 2024 a maioria cruza a linha de maioria absoluta. Seções sem dado em 2020 não existiam ainda naquele pleito.

Das 36 seções comparáveis, 31 passaram de minoria (<50%) para maioria absoluta (≥50%) dos votos válidos entre uma eleição e outra, uma virada de 17,9 pontos percentuais em média nessas seções.

Figura 4Todas as 42 seções de Alfredo Chaves em 2024

Grade com todas as 42 seções eleitorais numeradas, coloridas por categoria: seções que viraram de derrota para vitória, a única já vencida em 2020, e seções novas criadas até 2024.

Em 2024, a candidatura venceu literalmente todas as urnas do município, inclusive as 6 seções novas criadas desde 2020.
Figura 5Resultado agregado do município

Gráfico de barras comparando o total de votos válidos do candidato a prefeito em 2020 (3.681 votos, 40,0%) e em 2024 (5.779 votos, 58,1%).

Uma legenda diferente a cada eleição

Os dados de consulta_cand mostram que o candidato do grupo nunca disputou pelo mesmo partido duas vezes em vinte anos: PT em 2004, PSDB em 2008, PSD em 2012, PMDB em 2016, Republicanos em 2020, PP em 2024. O espectro ideológico também se moveu, de um partido de esquerda em 2004 para partidos de centro e direita a partir de 2012, acompanhando o realinhamento nacional da política brasileira no período. Não parece ter sido uma escolha isolada de estratégia local.

O tamanho da coligação, porém, não explica a vitória sozinho: em 2016, o candidato concorreu pela maior coligação de toda a série (9 partidos) e mesmo assim perdeu, com 48,0% dos votos. Em 2020, com a menor coligação (3 partidos), também perdeu. A coligação de 2024 (5 partidos: Republicanos, PP, MDB e Federação PSDB‑Cidadania) tem tamanho mediano na série, nem a maior nem a menor.

Do lado adversário, o padrão é o oposto. Nas cinco eleições perdidas por este grupo, entre 2004 e 2020, quem venceu foi sempre o PSB: Dr. Fernando levou 2004, 2008, 2016 e 2020, e Roberto Fiorin, também PSB, levou 2012, quatro mandatos e dois nomes diferentes sob a mesma legenda, vinte anos seguidos. Essa sequência só se rompe em 2024, quando Rolmar Boteccia tenta manter o PSB no poder e perde para o PP de Hugo Luiz. Ou seja, enquanto o lado que perdia trocava de partido a cada pleito, o lado que vencia tinha uma legenda estável havia duas décadas. Foi justamente essa estabilidade que quebrou em 2024, junto com o resultado.

Tabela 5.1Partido, espectro e coligação do grupo e de quem venceu, 2004–2024
PARTIDO, ESPECTRO E COLIGAÇÃO A CADA ELEIÇÃO

o candidato do grupo e o vencedor da disputa, eleição a eleição

Candidato do grupo

AnoPartido do grupoEspectroPartidosColigação
2004PTEsquerda5PPS / PT / PSDB / PTN / PT do B
2008PSDBCentro-direita5PTB / PSDB / PMDB / PT do B / PPS
2012PSDCentro-direita6PT / PTB / PMDB / PPS / DEM / PSD
2016PMDBCentro9PMDB / PPS / PSD / PTB / PT / PDT / PATRIOTA / REDE / DEM
2020RepublicanosDireita3PTB / REPUBLICANOS / PATRIOTA
2024PPDireita5REPUBLICANOS / PP / MDB / Federação PSDB‑Cidadania

Candidato vencedor

AnoVencedorPartidoEspectroPartidosColigação
2004Dr. FernandoPSBCentro-esquerda5PSB / PP / PTB / PL / PMN
2008Dr. FernandoPSBCentro-esquerda7PR / PP / PRTB / PV / PRB / PHS / PSB
2012Roberto FiorinPSBCentro-esquerda6PRB / PP / PDT / PR / PSB / PSDB
2016Dr. FernandoPSBCentro-esquerda9PSB / PROS / PMN / PSDB / PP / PSC / PR / PTN / PV
2020Dr. FernandoPSBCentro-esquerda7PP / PSL / PODE / CIDADANIA / DEM / PSB / PSDB
2024Hugo Luiz (grupo)PPDireita5REPUBLICANOS / PP / MDB / Federação PSDB‑Cidadania
Fonte: consulta_cand, campo DS_COMPOSICAO_COLIGACAO, TSE, por ano. Espectro classificado pelo partido de registro da candidatura (legenda principal), não pela coligação inteira. Linha em verde é a única vitória da série; as outras cinco são derrota (o tamanho da coligação de cada uma está discutido no texto acima).Fonte: consulta_cand, campos SG_PARTIDO, DS_COMPOSICAO_COLIGACAO e DS_SIT_TOT_TURNO, TSE, por ano. Espectro classificado pelo partido de registro do vencedor, não pela coligação inteira.

Onde o grupo era forte, onde era fraco

Alfredo Chaves tem 7 distritos oficiais: a sede e mais seis distritos rurais (Crubixá, Ibitiruí, Matilde, Ribeirão do Cristo, Sagrada Família e São Bento de Urânia). Cruzamos o local de votação de cada seção, e por ele o distrito, com a votação do candidato do grupo em cada uma das seis eleições, para ver se a virada foi uniforme pelo território ou concentrada em algum canto do município.

Figura 6% do candidato do grupo para prefeito, por distrito, 2004–2024

Mapa dos sete distritos de Alfredo Chaves, cada um colorido entre vermelho e verde conforme o percentual dos votos para prefeito recebido pelo candidato do grupo, com um botão para cada eleição de 2004 a 2024, e uma tabela com os mesmos percentuais. Em 2024 o grupo passa de 47% em todos os distritos e de 50% em seis dos sete; em 2020 só Ribeirão do Cristo ficou acima de 50%. Acima do mapa, uma lista nomeia todos os candidatos a prefeito da eleição escolhida; ao tocar ou passar o mouse em um distrito, aparece a votação de cada um.

Ribeirão do Cristo foi, de longe, o distrito mais resistente ao grupo em 2004 e 2012 (8,8% e 9,4%, os piores números do estudo inteiro), e virou o mais favorável em 2020 e 2024 (58,2% e 72,3%). Em 2024, todos os sete distritos passam de 47%: a virada não veio de um reduto específico, veio do território inteiro.

Fonte: votacao_secao, TSE, todas as seis eleições. Distrito de cada seção determinado pelo local de votação de 2024, cruzado com a lista oficial de localidades da Prefeitura de Alfredo Chaves. Os números de seção são estáveis ao longo do tempo neste município (só entram seções novas, nenhuma é renumerada), então o local de 2024 vale para todos os anos em que aquela seção existiu. Percentuais ponderados pelo total de votos válidos de cada seção. Limites dos distritos: IBGE, malha de distritos do Censo 2022. A divisão em sete distritos (Alfredo Chaves, Crubixá, Ibitiruí, Matilde, Ribeirão do Cristo, Sagrada Família e Urânia, chamado São Bento de Urânia na lista da prefeitura) consta do Plano Municipal de Saneamento Básico, item 5.1 (Lei Municipal nº 633/2017, revogada pela Lei nº 668/2019), com base no IBGE.

E na eleição para vereador?

O mesmo cruzamento seção→distrito, agora para a chapa completa de vereador do grupo (todos os candidatos da coligação, eleitos ou não — 35 nomes em 2020, 30 em 2024, identificados pelo partido de registro), como % dos votos válidos para vereador em cada distrito. Só dá pra fazer para 2020 e 2024: foram as duas únicas eleições em que a candidatura da família também lançou chapa de vereador.

Figura 6.1% dos votos p/ vereador na chapa do grupo, por distrito, 2020 e 2024

Mapa de calor com 7 distritos de Alfredo Chaves nas linhas e 2020/2024 nas colunas, mostrando o percentual dos votos válidos para vereador que foram na chapa do grupo. Ribeirão do Cristo lidera nos dois anos (56,5% em 2020, 69,9% em 2024). Sagrada Família e São Bento de Urânia saltam de cerca de 30% em 2020 para mais de 49% em 2024. Sede fica estável em torno de 40% nos dois anos.

Ribeirão do Cristo, o distrito que mais virou para o grupo na disputa a prefeito (Figura 6), também é o que mais sustenta a chapa de vereador nos dois anos — 56,5% em 2020, 69,9% em 2024. A virada de 2024 não ficou concentrada no topo da chapa: Sagrada Família e São Bento de Urânia quase dobram de participação (31,3%→56,9% e 26,4%→49,8%), acompanhando o mesmo movimento territorial da eleição majoritária.

Fonte: votacao_secao e consulta_cand (campos SG_PARTIDO, SQ_CANDIDATO), TSE, cargo Vereador, 2020 e 2024. Mesma atribuição seção→distrito da Figura 6. Chapa do grupo definida pelos partidos da coligação de prefeito de cada ano (Republicanos/PTB/Patriota em 2020; Republicanos/PP/PSDB em 2024), cruzados por SQ_CANDIDATO — não por nome, que varia entre os extratos de candidato e de seção.

Em números absolutos

Os percentuais das Figuras 6 e 6.1 escondem o tamanho de cada distrito. Os gráficos abaixo mostram os votos totais para prefeito em cada eleição, de 2004 a 2024, com uma linha para o candidato do grupo, outra para a principal oposição e pontos para os demais candidatos; a lista acima dos gráficos nomeia todos. Cada distrito tem escala própria: a Sede reúne cerca de dois terços dos votos válidos, e os outros seis distritos são pequenos demais para dividir o mesmo eixo.

Figura 6.2Votos totais para prefeito por distrito, 2004–2024

Sete gráficos de linhas, um por distrito, com os votos totais de cada candidato a prefeito em cada eleição de 2004 a 2024: uma linha para o candidato do grupo, outra para a principal oposição e pontos para os demais candidatos.

A Sede concentra a maior parte dos votos em todas as eleições: 3.811 dos 5.779 votos do candidato do grupo em 2024 (65,9%). Nos seis outros distritos somados, o grupo passa de 1.201 votos em 2020 para 1.968 em 2024 (+64%), e em todos os sete distritos 2024 é a eleição com mais votos do grupo em toda a série. Ao passar o mouse em um ponto, aparecem os votos de cada candidato no distrito.

Fonte: votacao_secao, TSE, cargo Prefeito, 2004 a 2024, com brancos e nulos excluídos. Mesma atribuição seção→distrito da Figura 6.

05 · Desempenho legislativo

A virada política na Câmara Municipal

A Câmara de Alfredo Chaves tem 9 cadeiras. Em 2020, a base política de Hugo Luiz Picoli Meneghel, então candidato a vereador pelo PTB na coligação majoritária “Mudança com Transparência” (PTB / Republicanos / Patriota), elegeu apenas 3 vereadores contra 6 de partidos adversários (coligação vencedora para prefeito: PP / PSB / PSDB, entre outros): minoria clara. Em 2024, com a coordenação de campanha estendida a todos os candidatos a vereador da coligação “Renovação e Juventude” (Republicanos / PP / PSDB), a bancada da chapa cresceu para 5 de 9 cadeiras, maioria simples, ainda que apertada.

Figura 7Composição da Câmara, 2020 vs. 2024

Gráfico de barras horizontais empilhadas comparando a composição da Câmara Municipal: em 2020, 3 cadeiras da chapa (verde) contra 6 de adversários (vermelho); em 2024, 5 cadeiras da chapa contra 4 de adversários, virando de minoria para maioria.

3 → 5 cadeiras: o mesmo grupo político que era minoria isolada em 2020 passou a controlar a maioria simples da Câmara em 2024.

Somando a votação nominal de todos os candidatos a vereador da chapa (eleitos e não eleitos), o crescimento também aparece na urna, não só nas cadeiras:

Figura 8Total de votos dos candidatos a vereador da chapa

Gráfico de barras comparando o total de votos somados de todos os candidatos a vereador da chapa: 3.427 votos (38,8% do pleito) em 2020 contra 4.206 votos (43,8% do pleito) em 2024.

+779 votos (+22,7%) na soma dos candidatos da chapa ao cargo de vereador, de uma eleição para outra.

Quem entrou em cada eleição

Nos dois gráficos abaixo, verde identifica os vereadores eleitos pela chapa de Hugo Luiz (mesma base política nas duas eleições); vermelho, os eleitos por partidos adversários.

Figura 9Vereadores eleitos em 2020

Gráfico de barras horizontais com os 9 vereadores eleitos em 2020, coloridos por lado: 3 da chapa de Hugo Luiz em verde, 6 de adversários em vermelho.

Hugo Luiz (PTB) é eleito vereador com 345 votos, mas sua base fica isolada em minoria (3 de 9 cadeiras).
Figura 10Vereadores eleitos em 2024

Gráfico de barras horizontais com os 9 vereadores eleitos em 2024, coloridos por lado: 5 da chapa em verde, 4 de adversários em vermelho.

Josimar Piumbini, Hermes Marchiori, Professor Alefy, Renan Boldrini e Warlei Pessali: os 5 nomes da chapa que sustentam o governo Hugo Luiz na Câmara.

O voto para prefeito puxou o voto para vereador, mas não igual nas duas eleições

Prefeito e vereador são votos separados na mesma cédula: um eleitor pode escolher o candidato do grupo para prefeito e um adversário para vereador, ou vice-versa. Cruzamos, seção por seção, o percentual de votos válidos no candidato do grupo para prefeito com o percentual somado de votos válidos nos candidatos do grupo para vereador, em 2020 e em 2024.

Figura 11Correlação entre voto para prefeito e para vereador, por seção

Dois gráficos de dispersão lado a lado, um para 2020 e outro para 2024, cada ponto uma seção eleitoral, cruzando o percentual de votos válidos no candidato do grupo para prefeito com o percentual somado de votos válidos nos candidatos do grupo para vereador. A correlação (r) é 0,66 em 2020 e 0,57 em 2024, com linha de tendência tracejada em cada painel.

A correlação foi mais forte em 2020 (r = 0,66) do que em 2024 (r = 0,57): quem votava em Ronaldo Bianchi para prefeito tendia a votar também nos candidatos do grupo para vereador de forma um pouco mais consistente do que quem votou em Hugo Luiz. Não é uma diferença enorme, mas sugere que o voto em Hugo em 2024 dependeu um pouco mais do nome dele mesmo do que da chapa como bloco.

Fonte: votacao_secao, TSE, 2020 e 2024. “Do grupo”, para vereador, definido pelos mesmos partidos da nota metodológica abaixo. Correlação de Pearson (r) sobre o percentual de votos válidos por seção; inclui votos de legenda (voto de partido sem indicar candidato), atribuídos ao partido votado.

Nota metodológica. Como coligações proporcionais (para vereador) foram extintas a partir de 2020, cada candidato concorre isoladamente por um único partido. O “lado” de cada candidato foi determinado por pertencimento aos partidos que compuseram a coligação majoritária de Hugo Luiz em cada ano (PTB/Republicanos/Patriota em 2020; Republicanos/PP/PSDB em 2024). Não é vínculo formal de chapa proporcional: esse formato não existe desde a reforma eleitoral de 2017.
06 · Financiamento e participação eleitoral

Quanto custou, e quem foi votar

Dados da prestação de contas eleitorais do TSE (receitas e despesas declaradas por cada candidato, incluindo adversários) e do detalhamento de apuração (comparecimento e abstenção) completam o quadro: a virada não veio de um eleitorado maior, e a receita mobilizada pela candidatura do grupo só foi a maior entre os concorrentes em 2024. Nas cinco derrotas anteriores, o vencedor declarou de 1,5 a 4,4 vezes mais receita que o candidato do grupo. Ainda assim, a campanha do grupo converteu o recurso em voto com mais eficiência que qualquer outro candidato ao cargo em 2008, 2012, 2016, 2020 e 2024; em 2004 foi a segunda mais eficiente. As duas figuras abaixo mostram todos os candidatos a prefeito das seis eleições.

Figura 12Receita declarada: todos os candidatos a prefeito, 2004–2024

Seis gráficos de barras horizontais, um por eleição, com a receita declarada por cada candidato a prefeito de 2004 a 2024. Em 2024, Hugo Luiz (PP, eleito) declarou R$155.597, Boldrini (PL) R$141.130 e Rolmar Boteccia (PSB) R$119.400; em 2020, Dr. Fernando (PSB, eleito) R$108.642, Ronaldo Bianchi (Republicanos) R$53.120 e Armando Zanata (PDT) R$32.722. Nas eleições anteriores o vencedor declarou mais que o candidato do grupo.

Com todos os candidatos lado a lado, fica claro que o grupo só teve a maior receita em 2024. Nas cinco derrotas, o vencedor declarou mais: R$ 34 mil contra R$ 16 mil em 2004, R$ 83 mil contra R$ 40 mil em 2008, R$ 30 mil contra R$ 7 mil em 2012, R$ 76 mil contra R$ 49 mil em 2016 e R$ 109 mil contra R$ 53 mil em 2020. Em 2024, Hugo Luiz teve a maior receita entre os três (R$ 156 mil), mas a diferença para Boldrini (R$ 141 mil) e Rolmar Boteccia (R$ 119 mil) foi pequena. Luiz Teixeira (PV, 2004) não aparece: não consta da prestação de contas do extrato.
Figura 13Eficiência de investimento por voto: todos os candidatos a prefeito, 2004–2024

Seis gráficos de barras horizontais, um por eleição, com a eficiência de investimento por voto (despesa paga dividida por votos) de cada candidato a prefeito de 2004 a 2024. O candidato do grupo foi o mais eficiente, com o menor gasto por voto, em 2008 (R$13,36), 2012 (R$2,19), 2016 (R$10,65), 2020 (R$13,58) e 2024 (R$26,69); em 2004, Dr. Fernando teve R$6,38 e Jorge Meneghel, R$7,44.

Honestidade dos dados: o investimento por voto do grupo subiu de R$ 2,19 (2012) para R$ 26,69 (2024), e em 2004 o grupo foi o segundo mais eficiente (R$ 7,44, contra R$ 6,38 do vencedor, Dr. Fernando). Em todas as outras eleições, 2008, 2012, 2016, 2020 e 2024, a candidatura do grupo foi a mais eficiente entre os concorrentes, inclusive em 2024, quando venceu gastando R$ 26,69 por voto contra R$ 36,20 (Rolmar Boteccia) e R$ 141,27 (Boldrini, a pior eficiência de conversão do pleito). Em 2012, a despesa paga de Roberto Fiorin supera a receita declarada, como consta nos extratos.
Figura 14Origem das receitas da chapa

Gráfico de barras horizontais comparando a origem das receitas da chapa em 2020 e 2024, por categoria: recursos de partido político, recursos próprios, pessoas físicas e outros candidatos.

Recursos de partido político (Fundo Partidário / FEFC) dominam as duas eleições e triplicaram em valor absoluto, de R$57,5 mil para R$166,4 mil, refletindo o crescimento do fundo eleitoral nacional entre os dois pleitos, não necessariamente uma escolha de estratégia da campanha.

Comparecimento não explica a virada de 2024, mas vem caindo há vinte anos

Entre 2020 e 2024, o eleitorado apto cresceu apenas 4,6% (12.294 → 12.860) e o comparecimento às urnas ficou praticamente estável: 79,15% em 2020, 79,74% em 2024. Como o candidato da chapa cresceu 57% em votos absolutos (3.681 → 5.779) enquanto o eleitorado total mal se moveu, a virada foi predominantemente conversão de eleitores que já votavam, não mobilização de novos votantes.

Figura 15Comparecimento vs. abstenção

Gráfico de barras horizontais empilhadas comparando comparecimento e abstenção do eleitorado apto: 9.731 compareceram e 2.563 se abstiveram em 2020 (79,15%); 10.255 compareceram e 2.605 se abstiveram em 2024 (79,74%).

Votos brancos (201 → 122) e nulos (317 → 178) também caíram, sinal de menor voto de protesto ou desengajamento em 2024.

Olhando as seis eleições, porém, o comparecimento não é estável: caiu de forma constante, de 91,8% em 2004 para os 79-80% de 2020 e 2024. A base de eleitores aptos cresceu 39% no mesmo período (2004: 9.247, 2024: 12.860), mas o número de gente que efetivamente votou cresceu bem menos, 20,8% (2004: 8.492, 2024: 10.255), porque uma fatia cada vez maior dos aptos deixou de comparecer.

Figura 16Comparecimento em queda, mesmo com mais eleitores

Gráfico de linha mostrando o percentual de comparecimento às urnas em Alfredo Chaves, eleição para prefeito, ao longo de seis eleições: 91,84% em 2004, 90,32% em 2008, 86,95% em 2012, 85,20% em 2016, 79,15% em 2020 e 79,74% em 2024, uma queda constante que só estabiliza nas duas últimas eleições.

O comparecimento caiu quase 12 pontos percentuais em vinte anos, e só parou de cair entre 2020 e 2024. O eleitorado registrado cresceu (mais gente apta a votar), mas a proporção que efetivamente comparece encolheu, um padrão nacional de queda de participação, não um efeito da campanha analisada aqui.

Fonte: detalhe_votacao_munzona, TSE, cargo Prefeito, todas as seis eleições (2004 a 2024).

Perfil do eleitorado: quase nada mudou

O perfil demográfico do eleitorado (dados de perfil_eleitor_secao, TSE) também ficou estável ao longo do tempo. A divisão por gênero vem convergindo lentamente para a paridade a cada eleição: 51,7% homens / 48,2% mulheres em 2008, 51,1% / 48,8% em 2012, 50,6% / 49,3% em 2016, 50,2% / 49,7% em 2020, e 49,9% / 50,0% em 2024 (o TSE não publicou esse dado para 2004). Praticamente meio a meio desde sempre, com uma leve e constante tendência à maioria feminina.

Curiosidade dos dados. O número de eleitores de 16 a 24 anos foi exatamente 1.225 em 2020 e 1.225 em 2024: mesma faixa etária, mesmo total, dois pleitos diferentes. É uma coincidência real, confirmada linha a linha na base oficial do TSE. Não tem explicação causal óbvia, mas descarta a hipótese de que a virada tenha sido puxada por uma onda de eleitores jovens recém-habilitados: a base de eleitores jovens do município simplesmente não cresceu nem encolheu entre as duas eleições.

Cruzamento com o IBGE: o eleitorado cresceu, a população não

Para entender se o crescimento do eleitorado (9.247 aptos em 2004 → 12.860 em 2024, +39%) reflete o município crescendo, cruzamos os dados do TSE com as estimativas populacionais anuais do IBGE (SIDRA, tabela 6579, código do município 3200300). A resposta é não: a população estimada de Alfredo Chaves ficou praticamente estável no período (14.113 em 2004, ~14.373 em 2024), até com quedas em alguns anos. O eleitorado não cresceu porque o município cresceu. Cresceu porque uma fatia cada vez maior da população já residente passou a estar registrada para votar.

Figura 17Eleitores aptos como % da população estimada (IBGE)

Gráfico de linha mostrando o percentual da população estimada pelo IBGE que está registrada para votar em Alfredo Chaves: 65,5% em 2004, 72,7% em 2008, 80,7% em 2012, 79,6% em 2016, 84,0% em 2020, 89,5% em 2024.

Cobertura do eleitorado sobre a população total saltou de 65,5% (2004) para 89,5% (2024), um efeito nacional de transição demográfica e biometria, não um fenômeno local de Alfredo Chaves. Fonte: IBGE SIDRA, tabela 6579 (população residente estimada), cruzado com QT_APTOS do TSE por ano.

Sexo, raça e renda: quem concorre é quem vive aqui?

O Censo Demográfico 2022 do IBGE (SIDRA, tabelas 9514 e 9605) permite ir além da população total e cruzar sexo e raça ou cor com quem de fato concorre. A população de Alfredo Chaves é 49,3% mulheres e 50,7% homens, 61,4% branca, 34,3% parda e 4,2% preta, números muito próximos aos do eleitorado registrado, que também caminha para a paridade de gênero. Entre quem concorre, porém, o quadro diverge: dos 69 candidatos a vereador em 2020, 37,7% eram mulheres; em 2024, entre 70 candidatos, essa fatia caiu para 32,9%, o oposto da tendência do eleitorado, que se aproxima cada vez mais dos 50%. Os candidatos a prefeito ficam de fora desses percentuais: são só três por eleição, e em 2020 e em 2024 os três eram homens.

Figura 18Participação feminina: população, eleitorado e candidatos a vereador

Gráfico de barras comparando o percentual de mulheres em quatro grupos: população do IBGE em 2022 (49,3%), eleitorado do TSE em 2024 (50,0%), candidatas a vereador em 2020 (37,7%) e em 2024 (32,9%).

População e eleitorado são praticamente 50/50; entre os candidatos a vereador, a fatia de mulheres é bem menor, e caiu ainda mais de 2020 para 2024.
Um nome por trás do número. O registro legislativo da própria Câmara Municipal de Alfredo Chaves (Moção de Louvor n.º 003/2024, de autoria do então vereador e hoje prefeito Hugo Luiz) homenageia Regina Puppin como “primeira e única Vereadora do Município de Alfredo Chaves a ocupar um cargo no Legislativo Municipal”, ou seja, a única mulher a ocupar uma cadeira na Câmara em toda a história do município, até hoje. Ela não aparece em nenhum dos candidatos a vereador registrados pelo TSE entre 2004 e 2024 consultados neste estudo, o que indica que seu mandato foi anterior a esse período. O hiato de representação feminina na Câmara é mais antigo e mais profundo do que os seis pleitos analisados aqui.

A composição racial das candidaturas a vereador segue um padrão parecido. Em 2020, candidatos brancos eram 59,4% do total, perto dos 61,4% da população do município. Em 2024 essa proporção subiu para 68,6%, enquanto candidatos pardos caíram de 30,4% para 22,9%: um afastamento em relação à composição racial de Alfredo Chaves, ainda que a fatia de candidatos pretos tenha crescido ligeiramente (7,2% → 8,6%). Entre os candidatos a prefeito, os três de 2020 eram brancos; em 2024, dois dos três eram brancos e um, pardo.

Figura 19Raça ou cor: população vs. candidatos a vereador

Gráfico de barras agrupadas comparando raça ou cor declarada entre população do IBGE em 2022, candidatos a vereador de 2020 e candidatos a vereador de 2024, nas categorias branca, parda e preta. Branca: 61,4% população, 59,4% candidatos 2020, 68,6% candidatos 2024. Parda: 34,3% população, 30,4% candidatos 2020, 22,9% candidatos 2024. Preta: 4,2% população, 7,2% candidatos 2020, 8,6% candidatos 2024.

Em 2020, a composição racial dos candidatos a vereador era quase um espelho da população. Em 2024, brancos ficaram sobrerrepresentados e pardos, sub-representados.
07 · Campanha digital

O que os posts mostram sobre a corrida

Esta seção sai da base de dados do TSE e usa uma fonte diferente: o histórico de posts do Instagram oficial da candidatura (@hugoluiz11_), do dia da filiação ao partido até o resultado da eleição. Não é dado público auditável como o resto deste estudo. É o próprio arquivo da campanha, revisado post a post a partir de capturas de tela exportadas do aplicativo, com data, visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos de cada publicação. Tratamos os números como o time de campanha os viu em tempo real: uma métrica de alcance orgânico e engajamento, não de intenção de voto.

A linha do tempo cobre seis marcos: a filiação ao Progressistas em 27 de março de 2024; o lançamento da pré-candidatura em 7 de junho; o anúncio do vice-prefeito Cleber Bianchi, na convenção partidária de 3 de agosto; a disputa pública em torno de uma pesquisa suspensa em 22 de setembro; a vitória em 6 de outubro; e o post de agradecimento pelos 5.779 votos, publicado horas depois do resultado: o post de maior engajamento de toda a campanha.

Figura 20Visualizações por post, filiação até a vitória

Gráfico de dispersão mostrando as visualizações de cada post do Instagram da candidatura entre março e outubro de 2024, com tendência de alta: de cerca de 9,3 mil visualizações no post de filiação até picos acima de 40 mil visualizações na reta final e no resultado.

Os posts de rotina da pré-campanha (abril a maio) oscilam entre 1,5 mil e 19 mil visualizações. Na reta final (setembro e outubro), picos de 30 a 56 mil visualizações se tornam comuns: mais de 4× o alcance médio do início do ano.
Figura 21Engajamento médio por fase da campanha

Gráfico de barras mostrando o engajamento médio (curtidas mais comentários mais compartilhamentos) por fase da campanha: 533 na filiação, 223 na pré-campanha, 232 no lançamento, 308 na campanha, 308 na reta final, e 1.201 no resultado.

O engajamento médio por post quase quintuplica entre a pré-campanha e a fase de resultado, puxado sobretudo pelas fotos de celebração e pelo post de agradecimento na noite da vitória. A filiação, em março, teve um único post de engajamento fora da curva (533): amostra pequena demais para tirar conclusão sozinha.

Classificamos cada um dos 166 posts identificados por tipo de conteúdo, para entender não só quando o alcance cresceu, mas o que a campanha efetivamente postava. Eventos de rua e caminhadas são o formato mais comum (quase um terço dos posts), seguidos por propostas de governo, posts de coligação e comunicação administrativa de rotina do mandato de vereador (convocações de sessão da Câmara, que a campanha publicava aos pares: um convite antes, um vídeo de esclarecimento depois). Mas o volume não é o mesmo que engajamento: testemunhos e depoimentos de eleitores, que aparecem bem menos, engajam bem mais que a média, mais de quatro vezes a comunicação administrativa de rotina.

Figura 22Volume de posts e engajamento por tipo de conteúdo

Dois gráficos de barras horizontais. À esquerda, número de posts por categoria: 49 eventos ou caminhadas, 26 propostas de governo, 19 de coligação, 18 posts administrativos, 13 testemunhos, 10 respostas a ataques, 7 pesquisas, 7 contagens regressivas, 6 datas comemorativas, 4 de resultado, 3 marcos, 3 de repercussão na mídia, 1 de filiação. À direita, engajamento médio por categoria, do maior para o menor: resultado (1.201), marco (601), filiação (533), pesquisa (394), testemunho (366), evento (315), resposta a ataque (298), coligação (296), proposta (280), data comemorativa (267), mídia (248), contagem regressiva (169), administrativo (85).

Posts administrativos (convocações de sessão da Câmara) são um dos formatos mais frequentes, mas o que menos engaja: o público reage mais a gente falando de gente (testemunhos) do que a comunicação institucional de rotina.
166
posts distintos identificados nos dois arquivos enviados, revisados um a um e conferidos contra o total de capturas de tela
1,86 milhão
visualizações somadas nos posts revisados, de março a outubro de 2024
1.841
curtidas + comentários + compartilhamentos no post de maior engajamento, o agradecimento pelos 5.779 votos
Limite dos dados. Diferente do resto deste estudo, esta seção não vem de um repositório público e auditável: é uma leitura manual de capturas de tela do próprio histórico de posts da campanha, sem acesso à API do Instagram nem a métricas de alcance pago, impressões ou perfil demográfico da audiência. Revisamos cada uma das 166 capturas dos dois arquivos enviados (90 e 76 páginas) e identificamos 166 posts distintos com data, visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos legíveis — uma checagem cruzada por curtidas e comentários confirmou que cada captura corresponde a exatamente um post, sem duplicidade. A classificação por tipo de conteúdo é nossa, feita a partir da legenda e do formato de cada post, não uma categoria do próprio Instagram. Datas de alguns posts administrativos mais antigos (abril a agosto) foram estimadas pela posição na linha do tempo quando não apareciam com clareza na captura. Os números de visualizações e engajamento são os exibidos pelo próprio Instagram no momento da captura, não necessariamente o total final de cada post, que continua mudando enquanto a publicação recebe interações.
08 · Perfil dos candidatos

Quem eram os candidatos, além dos votos

Dados de consulta_cand e bem_candidato (TSE) trazem idade, escolaridade, ocupação e patrimônio declarado de cada candidato: informação pública, prestada por lei a cada eleição. A Tabela 8.1 reúne os 16 candidatos a prefeito das seis eleições, de 2004 a 2024, e as Figuras 23 e 24 os comparam. O contraste com Hugo Luiz é o mais nítido do estudo inteiro.

Tabela 8.1Perfil de todos os candidatos a prefeito, 2004–2024
QUEM ERAM OS CANDIDATOS

idade no dia da eleição, escolaridade e ocupação do cadastro de candidatura, patrimônio declarado ao TSE

AnoCandidatoIdadeEscolaridadeOcupação declaradaPatrimônio declarado
2004Dr. Fernando (PSB)56Superior completoMédico—
2004Jorge Meneghel (PT)37Superior completoProfessor de 1º e 2º graus—
2004Luiz Teixeira (PV)50Superior completoAdvogado—
2004Nelsão Togneri (PFL)41Médio completoTécnico em edificações—
2008Dr. Fernando (PSB)60Superior completoMédicoR$ 53.416
2008Daniel Orlandi (PSDB)40Médio completoAgricultorR$ 15.000
2012Roberto Fiorin (PSB)53Superior completoServidor público federalR$ 284.406
2012Sergio Bianchi (PSD)50Fundamental incompletoVereadorR$ 20.000
2016Dr. Fernando (PSB)68Superior completoMédicoR$ 410.500
2016Ronaldo Bianchi (PMDB)54Médio completoEmpresárioR$ 428.561
2020Dr. Fernando (PSB)72Superior completoPrefeitoR$ 620.761
2020Ronaldo Bianchi (Republicanos)58Médio completoEmpresárioR$ 366.381
2020Armando Zanata (PDT)64Médio incompletoEmpresárioR$ 1.380.000
2024Hugo Luiz (PP)25Superior completoAdvogadoR$ 29.573
2024Rolmar Boteccia (PSB)71Médio completoPecuaristaR$ 718.421
2024Boldrini (PL)61Médio completoComercianteR$ 0
Um traço (—) marca dado que não existe nos extratos: a base de bens não cobre 2004. A receita e a eficiência de investimento por voto de cada candidato estão nas Figuras 12 e 13.
Figura 23Idade dos candidatos a prefeito

Seis gráficos de barras horizontais, um por eleição, com a idade de cada candidato a prefeito no dia da eleição, de 2004 a 2024. Em 2020: Dr. Fernando 72, Armando Zanata 64 e Ronaldo Bianchi 58; em 2024: Rolmar Boteccia 71, Boldrini 61 e Hugo Luiz 25.

Em cada uma das cinco derrotas, o candidato do grupo era mais novo que o vencedor: 37 contra 56 anos em 2004, 40 contra 60 em 2008, 50 contra 53 em 2012, 54 contra 68 em 2016 e 58 contra 72 em 2020. Em 2024 a diferença é extrema: Hugo Luiz, com 25 anos, era 36 anos mais novo que Boldrini (61) e 46 mais novo que Rolmar Boteccia (71). A idade média de todos os candidatos ao pleito (prefeito e vereador somados) foi a mesma nas duas últimas eleições (50,2 anos em 2020 e em 2024): o município não ficou mais jovem. Só a candidatura vencedora rejuvenesceu.

Hugo Luiz tinha 25 anos no dia da eleição de 2024, é advogado, formado em Direito pela UFES, e, segundo o cadastro do TSE, é branco e solteiro. Os outros dois candidatos a prefeito daquele ano tinham 61 e 71 anos.

Figura 24Patrimônio declarado dos candidatos a prefeito

Cinco gráficos de barras horizontais, um por eleição de 2008 a 2024, com o patrimônio declarado de cada candidato a prefeito. Em 2020: Armando Zanata R$1,38 milhão, Dr. Fernando R$621 mil e Ronaldo Bianchi R$366 mil; em 2024: Rolmar Boteccia R$718 mil, Hugo Luiz R$29,5 mil e Boldrini R$0. A base de 2004 não traz bens.

Hugo Luiz declarou R$ 29.573 em bens, o quarto menor patrimônio entre os 12 candidatos a prefeito com bens na base (2008 a 2024): declararam menos apenas Boldrini (R$ 0, em 2024), Daniel Orlandi (R$ 15 mil, em 2008) e Sergio Bianchi (R$ 20 mil, em 2012). É cerca de 24× menos que o segundo colocado de 2024 (Rolmar Boteccia, R$ 718 mil) e 12× menos que Ronaldo Bianchi em 2020 (R$ 366 mil). Em 2008, 2012 e 2020 o candidato do grupo declarou menos que o vencedor; em 2016, mais (R$ 429 mil contra R$ 411 mil).

As 9 pesquisas eleitorais registradas

O TSE mantém um sistema próprio de registro de pesquisas eleitorais (pesqele‑divulgacao.tse.jus.br), exigido pelo art. 33 da Lei 9.504/97. Para Alfredo Chaves em 2024 constam 9 pesquisas registradas, por 5 empresas diferentes, entre abril e setembro. Abrimos e lemos o conteúdo de todos os 9 editais de publicação em PDF. Vale registrar um limite real dos dados públicos: o TSE não publica o resultado (percentual de intenção de voto por candidato) nesses editais, apenas a confirmação formal do registro (empresa, protocolo, data, abrangência). Quem divulga o resultado é a empresa contratante, tipicamente via um veículo de imprensa local.

Figura 25Registro das 9 pesquisas eleitorais: linha do tempo

Linha do tempo com as 9 pesquisas eleitorais registradas para Alfredo Chaves em 2024, de 19/04 a 27/09, por 5 empresas diferentes, com o dia da eleição (06/10/2024) marcado em verde.

O ritmo de registros se intensifica nas últimas 6 semanas antes da eleição: 5 das 9 pesquisas foram registradas em setembro, indício de disputa competitiva o suficiente para justificar pesquisas encomendadas por múltiplas empresas em sequência.

Localizamos o documento original de 6 das 9 pesquisas: os relatórios completos que cada instituto produziu para o contratante, com metodologia, amostra e margem de erro. Duas delas (16/abr e 21/set) também haviam sido divulgadas à imprensa; as outras quatro são dado real, mas de circulação restrita, nunca publicado por veículo de imprensa:

Os seis pontos com dado real não usam a mesma base de cálculo: a pesquisa de 29–31/08 e o resultado oficial de 06/10 somam 100% entre os três nomes citados, mas as de 20–21/09, 27–29/09 e 01–02/10 deixam de 9,6 a 23,75 pontos percentuais sem atribuir a ninguém, sinal de que essas três reportam o percentual sobre o total de entrevistados (incluindo indecisos), não sobre os votos válidos entre os candidatos citados. Normalizamos essas três para somar 100% entre os nomes perguntados. A pesquisa de 16/04 é diferente: tinha só 2 vias (Boldrini ainda não era candidato), e normalizar um cenário de 2 nomes infla artificialmente os dois existentes, então esse ponto entra no gráfico com o valor bruto, como no documento original.

Figura 26Trajetória da intenção de voto (estimulada) até o resultado

Gráfico de linha mostrando a intenção de voto estimulada de Hugo Luiz (verde) em 54,8% (abril, valor bruto de uma disputa de 2 vias), 57,4% (agosto), 58,1% (21/set), 62,6% (28/set), 57,0% (2/out) e 58,05% no resultado final; Rolmar Botecchia (vermelho) entre 21,3% e 32,6%; Boldrini (cinza, tracejado) entre 10,0% e 21,3% a partir de agosto; e um ponto isolado de 17/set marcado como atípico, com Rolmar em 60,0% e Hugo em 25,8%.

Em 5 das 6 pesquisas com dado real, Hugo Luiz nunca saiu da liderança: entre 54,8% e 62,6% de intenção de voto, do início ao fim da campanha, sempre pelo menos 24 pontos à frente do segundo colocado. A exceção é o ponto isolado de 17/09 (marcado com asterisco*), onde os papéis se invertem (Rolmar 60,0%, Hugo 25,8%). Mantivemos o ponto no gráfico por transparência, mas não o tratamos como confiável.

* Resultado destoante das outras 5 pesquisas e do resultado final; documento sem número de registro TSE ou instituto identificado.

Notas de dados. Uma das pesquisas registradas (Direta Propaganda e Eventos) foi obtida, mas o documento se referia a outro município (Conceição do Castelo-ES), provável erro de arquivo do lado do contratante, então não foi usada aqui. Ainda restam 2 das 9 pesquisas registradas sem documento localizado. O perfil biográfico completo dos candidatos de 2020 exigiu baixar um arquivo nacional de 85 MB inteiro (sem suporte a download parcial), o que funcionou, mas de forma mais lenta e menos elegante que o restante do pipeline.

Depois da eleição: aprovação da gestão

Esses dados são de pesquisa de opinião, não de urna, e por isso ficam fora do pipeline oficial baseado em dados do TSE que sustenta o resto deste estudo. Ainda assim, ajudam a fechar o quadro. Em março de 2026, já no segundo ano de mandato, o Instituto de Pesquisas e Estatística do Espírito Santo (IPESES) ouviu 405 eleitores da sede e dos distritos de Alfredo Chaves (11 e 12/03/2026, margem de erro de 4,9 p.p., 95% de confiança, cotas por sexo e idade).

75,0%
aprovam a gestão do prefeito Hugo Luiz (13,0% desaprovam; 12,0% não souberam responder)
70,2%
consideram Hugo Luiz uma pessoa honesta (6,9% discordam; 23,0% não souberam responder)
63,3%
consideram a gestão transparente (21,7% discordam; 15,1% não sabem dizer)
59,4%
votariam nele de novo, se pudessem escolher hoje (19,4% não votariam; 21,2% não sabem)
51,3%
dizem que está cumprindo as promessas de campanha (23,7% dizem parcialmente; 15,1% dizem que não)
48,5%
votariam em candidatos a governador, senador ou deputado apoiados por ele
71,2%
avaliam que Alfredo Chaves está no rumo certo
72,4%
aprovam a Educação da gestão
65,8%
aprovam a Saúde pública

Fontes: Aqui Notícias, Imprensa Capixaba e Informe Capixaba, todas de março de 2026, divulgando a mesma pesquisa do IPESES.

09 · Detalhamento

Seção a seção, com local de votação

Tabela completa com o percentual de votos válidos da candidatura a prefeito em cada seção eleitoral, nas duas eleições, e o local físico de votação de cada seção em 2024 (escola, salão comunitário ou igreja, conforme cadastro oficial do TSE). Linhas destacadas em verde indicam seções que passaram de derrota para maioria absoluta. Votos e totais por seção estão no detalhamento bruto do repositório; aqui, o percentual já conta a história.

SeçãoLocal de votação% 2020% 2024Variação
1EMEF ANA ARAÚJO37.8%52.1%+14.3 p.p.virou
2EMEF ANA ARAÚJO42.4%54.3%+11.9 p.p.virou
3EMEF ANA ARAÚJO41.1%51.3%+10.2 p.p.virou
4EMEF ANA ARAÚJO40.9%57.7%+16.8 p.p.virou
5EMEF ANA ARAÚJO—57.5%—seção nova
6EEEFM CAMILA MOTA42.8%54.6%+11.8 p.p.virou
7EEEFM CAMILA MOTA42.1%57.3%+15.2 p.p.virou
8EEEFM CAMILA MOTA45.5%54.4%+8.9 p.p.virou
9EMEF FAZENDA APARECIDA58.2%72.3%+14.1 p.p.
10EEEF DE CRUBIXÁ32.5%44.6%+12.1 p.p.
11EEEF DE CRUBIXÁ34.5%44.8%+10.3 p.p.
12EMEF ENGANO42.2%63.2%+21.0 p.p.virou
13EMEF ENGANO37.5%63.4%+25.9 p.p.virou
14SALÃO DA IGREJA CATÓLICA DE SÃO FRANCISCO DE BATATAL47.4%52.7%+5.3 p.p.virou
15SALÃO DA IGREJA DE SÃO MARTINHO35.9%53.1%+17.2 p.p.virou
16PRÉDIO DA ANTIGA ESCOLA ALMERINDA BRUNORO36.2%43.9%+7.7 p.p.
17EMEF FELIPE MODOLO46.9%65.7%+18.8 p.p.virou
18EMEF FELIPE MODOLO40.2%62.0%+21.8 p.p.virou
19SALÃO COMUNITÁRIO DE NOVA ESTRELA35.4%55.0%+19.6 p.p.virou
20SALÃO DA IGREJA CATÓLICA DE CACHOEIRA ALTA37.8%57.0%+19.2 p.p.virou
21EMUEF QUARTO TERRITÓRIO31.1%55.9%+24.8 p.p.virou
22EMEF SAGRADA FAMÍLIA31.6%58.0%+26.4 p.p.virou
23EMEF SAGRADA FAMÍLIA32.8%57.5%+24.7 p.p.virou
24SALÃO COMUNITÁRIO DE SÃO BENTO DE URÂNIA44.5%68.8%+24.3 p.p.virou
25EMEF FELIPE MODOLO27.8%48.2%+20.4 p.p.
26EEUEF VILA NOVA DE MARAVILHA43.8%64.7%+20.9 p.p.virou
27EEEFM CAMILA MOTA45.3%55.7%+10.4 p.p.virou
28SALÃO DA IGREJA DE SÃO MARTINHO39.8%55.8%+16.0 p.p.virou
29SALÃO COMUNITÁRIO DE SÃO BENTO DE URÂNIA43.5%63.7%+20.2 p.p.virou
30EEEFM CAMILA MOTA38.1%54.9%+16.8 p.p.virou
31EEEFM CAMILA MOTA39.6%59.7%+20.1 p.p.virou
33EEEFM CAMILA MOTA—56.2%—seção nova
34EEEFM CAMILA MOTA44.4%59.5%+15.1 p.p.virou
35EEEFM CAMILA MOTA46.4%52.0%+5.6 p.p.virou
37CRECHE COMECINHO DE GENTE43.4%57.2%+13.8 p.p.virou
38CRECHE PEQUERRUCHOS—63.8%—seção nova
39CRECHE PEQUERRUCHOS—68.3%—seção nova
40SALÃO PAROQUIAL DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO43.6%67.1%+23.5 p.p.virou
41SALÃO PAROQUIAL DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO40.5%60.3%+19.8 p.p.virou
85CRECHE PEQUERRUCHOS29.8%63.3%+33.5 p.p.virou
96SALÃO COMUNITÁRIO DE SÃO BENTO DE URÂNIA—78.9%—seção nova
98EMEF FELIPE MODOLO—57.3%—seção nova

As 18 urnas do município

As 42 seções eleitorais de Alfredo Chaves se distribuem por 18 locais físicos de votação, entre a sede e os distritos rurais do município, todos identificados no cadastro oficial do TSE:

#Local de votaçãoEndereçoSeções atendidas
1CRECHE COMECINHO DE GENTEAV. DARCY DE PAULA GAIGHER, S/N37
2CRECHE PEQUERRUCHOSRUA ANTÔNIO CLAUDIO GAIGHER, 1938, 39, 85
3EEEF DE CRUBIXÁR. PRINCIPAL, S/ Nº10, 11
4EEEFM CAMILA MOTAR. NELSON DA COSTA MELLO, S/ N6, 7, 8, 27, 30, 31, 33, 34, 35
5EEUEF VILA NOVA DE MARAVILHAR. PRINCIPAL, S/ Nº26
6EMEF ANA ARAÚJOR. EXPEDICIONARIO OSVALDO SAUDINO1, 2, 3, 4, 5
7EMEF ENGANOR. PRINCIPAL, S/N12, 13
8EMEF FAZENDA APARECIDAR. PRINCIPAL, S/ Nº9
9EMEF FELIPE MODOLOR. PRINCIPAL, S/ N17, 18, 25, 98
10EMEF SAGRADA FAMÍLIAR. PRINCIPAL, S/ N22, 23
11EMUEF QUARTO TERRITÓRIORUA PRINCIPAL, S/N21
12PRÉDIO DA ANTIGA ESCOLA ALMERINDA BRUNOROR. PRINCIPAL, S/ N16
13SALÃO COMUNITÁRIO DE NOVA ESTRELAR. PRINCIPAL, S/ N19
14SALÃO COMUNITÁRIO DE SÃO BENTO DE URÂNIAR. PRINCIPAL, S/ N24, 29, 96
15SALÃO DA IGREJA CATÓLICA DE CACHOEIRA ALTAR. PRINCIPAL, S/ N20
16SALÃO DA IGREJA CATÓLICA DE SÃO FRANCISCO DE BATATALRUA PRINCIPAL, S/ N14
17SALÃO DA IGREJA DE SÃO MARTINHOR. PRINCIPAL, S/ N15, 28
18SALÃO PAROQUIAL DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃOAV. GETULIO VARGAS, 54540, 41

Mapa dos locais de votação

Os números no mapa correspondem à coluna # da tabela acima. Em geocodificação por endereço oficial (a maioria dos endereços rurais do TSE não tem numeração, apenas “Rua Principal, S/Nº”), os locais da sede do município (marcadores próximos entre si, no centro do mapa) são aproximados e ligeiramente espalhados apenas para não se sobreporem; os locais dos distritos rurais correspondem à localidade identificada.

Mapa de Alfredo Chaves, ES, com os 18 locais de votação numerados

Clique em um número no mapa para ver o local de votação.

Mapa-base: © colaboradores do OpenStreetMap. Coordenadas por geocodificação (Photon/Komoot) dos nomes de local e distrito do cadastro do TSE.

10 · Conclusão

O que os dados mostram

A leitura seção a seção, e depois distrito a distrito, mostra que a virada de 2024 fecha um arco de vinte anos e seis eleições: da candidatura de 2004 até a vitória de 2024, duas décadas depois. A votação do grupo cresceu em quase todos os ciclos, com uma única queda pontual em 2020, e o resultado de 2024 não se concentrou em poucos redutos: foi disseminado por praticamente todo o território eleitoral do município, das 42 seções aos 7 distritos, com ganho médio de mais de 20 pontos percentuais nas seções onde houve inversão de maioria entre 2020 e 2024. Isso é consistente com uma estratégia de capilaridade territorial mais do que de reforço em bases já favoráveis: a única seção já vencida em 2020 (seção 9) teve ganho adicional relativamente modesto (+13,7 p.p.) frente às seções que partiram de derrota, e até o distrito historicamente mais resistente ao grupo, Ribeirão do Cristo, saiu de 8,8% em 2004 para 72,3% em 2024.

A ampliação da coordenação de campanha em 2024, incluindo pela primeira vez as candidaturas a vereador, coincide com uma segunda virada, agora no Legislativo: a mesma base política que elegeu Hugo Luiz vereador em 2020, com apenas 3 de 9 cadeiras (minoria isolada), passou a controlar 5 de 9 cadeiras em 2024 (maioria simples), com crescimento de 22,7% na votação somada dos candidatos da chapa. Isso sugere um efeito de arrasto entre a disputa majoritária e a proporcional, embora esta análise não isole causalidade entre as duas frentes. O que os cenários de 2028 não fazem está na seção 11; os limites do estudo e a posição de quem o escreve, na seção 12.

11 · Cenários para 2028

O que os números permitem imaginar para 2028

Isto não é uma previsão. A série tem só seis eleições, nenhum candidato de 2028 é conhecido e a política municipal muda de um ciclo para outro. O que segue são cenários de “e se”: cada um declara a hipótese usada. Os cálculos foram feitos em R (analysis/cenarios_2028.R), com os mesmos dados do TSE e do IBGE do restante do estudo.

Quantos votos estarão em jogo

O eleitorado cresce de forma quase linear: 9.247 eleitores aptos em 2004 e 12.860 em 2024. Estendendo essa reta até 2028 (regressão linear com seis pontos), o cenário base é de 13.767 eleitores aptos, com faixa de 80% de 13.091 a 14.443. Com o comparecimento e a proporção de votos válidos entre os valores de 2020 e 2024 (79,1% a 79,7% de comparecimento; 94,7% a 97,1% de votos válidos entre os presentes), isso dá cerca de 10.486 votos válidos (de 9.810 a 11.180), contra 9.955 em 2024.

Figura 27Votos válidos: série histórica e cenário base para 2028

Gráfico de barras dos votos válidos para prefeito de 2004 a 2024 e do cenário base de 2028, com 10.486 votos válidos.

Estendendo em linha reta o crescimento do eleitorado de 2004 a 2024, o cenário base para 2028 é de 13.767 eleitores aptos e 10.486 votos válidos (de 9.810 a 11.180), contra 9.955 em 2024. É uma hipótese de tendência, não uma previsão.

Quanto o grupo pode perder e ainda liderar

Em Alfredo Chaves vence quem tiver mais votos: não há segundo turno em município com menos de 200 mil eleitores. Por isso o piso para liderar depende do terceiro candidato. Sem terceiro, o grupo precisa de mais de 50% dos votos válidos; com um terceiro em 10%, como em 2024, basta passar de 45%. Partindo dos 58,1% de 2024, a queda máxima suportada é de −8,1 p.p. sem terceiro candidato, −10,6 p.p. com um terceiro em 5% e −13,1 p.p. com um em 10%.

Figura 28Margem de votos do grupo sobre a principal oposição, por cenário de oscilação

Gráfico de linhas com a margem de votos do grupo sobre a oposição em 2028 para oscilações de −20 a +5 pontos, em três cenários de terceiro candidato.

Acima da linha zero, o grupo lidera. Sem terceiro candidato, o grupo perde a liderança entre −5 e −10 pontos; com um terceiro em 10%, como em 2024, aguenta uma queda de mais de 13 pontos.
Tabela 11.1Piso para liderar e queda máxima suportada, por cenário de terceiro candidato
QUANTO O GRUPO PODE PERDER E AINDA LIDERAR

a partir dos 58,1% de 2024, com 10.486 votos válidos em 2028 (cenário base)

Terceiro candidatoPiso para liderarVotos (cenário base)Maior queda suportada
Sem terceiro candidato50,0%5.243−8,1 p.p.
Terceiro com 5% dos votos47,5%4.981−10,6 p.p.
Terceiro com 10% (como em 2024)45,0%4.719−13,1 p.p.
Fonte: cálculo em R (analysis/cenarios_2028.R) sobre resumo_prefeito_2004_2024.csv. Piso = (100 − terceiro) / 2, o percentual a partir do qual o grupo supera a principal oposição.

Como régua, o próprio histórico: entre eleições consecutivas, o percentual do grupo oscilou de −8,0 a +18,1 p.p. (média de +6,3; desvio-padrão de 9,8, com apenas cinco oscilações). Se a oscilação de 2028 seguisse esse desvio em torno de zero, o resultado ficaria entre 45,6% e 70,6% em 80% dos casos: uma faixa larga demais para ser chamada de previsão, e que inclui justamente o piso de 45% a 50%.

E nos distritos

Aplicando a mesma oscilação a todos os distritos (uma hipótese irreal, mas útil para ver onde a vantagem é mais frágil), o grupo mantém mais de 50% em 6 dos sete distritos com uma queda de 5 pontos e em 3 com uma queda de 10. A Sede, que reúne cerca de dois terços dos votos válidos, perde a maioria absoluta entre −5 e −10 p.p.: é nela que a liderança se decide.

Figura 29% do grupo por distrito sob oscilação uniforme, a partir do resultado de 2024

Mapa dos sete distritos coloridos entre vermelho e verde pelo percentual do grupo em cada cenário de oscilação, com um botão por oscilação de −20 a +5 pontos.

Com uma oscilação de −5 pontos em todos os distritos, o grupo mantém mais de 50% em 6 dos sete; com −10, em 3. Como a Sede reúne cerca de dois terços dos votos válidos, é nela que a liderança se decide.

O que este exercício não faz

  • Não sabe quem serão os candidatos. Nem se o prefeito eleito em 2024 disputará a reeleição, nem quantas chapas haverá.
  • Supõe oscilação uniforme. Na prática, os distritos oscilaram de formas muito diferentes: Ribeirão do Cristo foi de 9,4% em 2012 a 58,2% em 2020.
  • Não modela efeito de reeleição, de conjuntura ou de pesquisas. São seis pontos de dados; qualquer modelo mais sofisticado seria falsa precisão.

O código que gera todos os números desta seção:

# analysis/cenarios_2028.R (R base, sem pacotes extras)
m_aptos <- lm(aptos ~ ano, data = compar)            # tendência linear do eleitorado
pred    <- predict(m_aptos, data.frame(ano = 2028),
                   interval = "prediction", level = 0.80)
votos_validos <- aptos * comparecimento * validos_sobre_comp

share_grupo    <- share_2024 + oscilacao              # oscilação uniforme, em p.p.
share_oposicao <- 100 - share_grupo - terceiro        # terceiro candidato: 0, 5 ou 10%
margem <- (share_grupo - share_oposicao) / 100 * votos_validos
12 · Limitações e viés

O que este estudo não consegue mostrar

O estudo descreve o que os dados públicos mostram. Há coisas que eles não mostram, e quem lê precisa saber quais são antes de tirar conclusões.

O que os dados não permitem concluir

  • Descrição, não causa. Os números mostram onde e quando a votação mudou, não por quê. A virada para prefeito, o crescimento da bancada na Câmara e a ampliação da coordenação de campanha coincidem no tempo, mas nenhuma análise aqui isola o efeito de uma sobre a outra, nem separa a campanha da conjuntura, dos candidatos adversários ou de fatores locais.
  • Seções e distritos, não eleitores. O voto é contado por seção e somado por distrito; nenhum dado diz como cada pessoa votou. As correlações entre o voto para prefeito e para vereador (seção 05) descrevem seções, e não devem ser lidas como comportamento individual.
  • Um município, sem comparação. Todos os dados são de Alfredo Chaves. O estudo não compara com municípios vizinhos nem com a média do estado, então não dá para dizer o quanto a virada é atípica em relação à região.
  • Distritos atribuídos por local de votação. O distrito de cada seção vem do local de votação de 2024 (seção 04). Como as seções deste município só recebem números novos e nenhuma é renumerada, a atribuição vale para todos os anos, mas continua sendo uma atribuição, e não um dado do TSE.
  • Cobertura desigual entre os anos. A Tabela 3.1 mostra o que existe em cada eleição. Onde a base não cobre um ano, a análise fica de fora em vez de ser estimada.
  • Séries curtas. São seis eleições. Por isso os cenários de 2028 (seção 11) são hipóteses declaradas, e não previsão.
  • Duas fontes que não são auditáveis do mesmo modo. As postagens do Instagram da candidatura (seção 07) foram lidas em capturas de tela, e o TSE registra as pesquisas de 2024 sem publicar seus resultados (seção 08).

A posição de quem escreve

Fui diretor da campanha de 2024, sou filho de um candidato de 2004 e irmão do candidato eleito em 2024. Isso pode inclinar as escolhas do que analisar e de como enquadrar o resultado. Para reduzir o risco, usei só dados públicos e reproduzíveis, sem planilhas ou registros internos da campanha; deixei o código no repositório para quem quiser refazer as contas com os mesmos extratos; mantive no estudo os resultados desfavoráveis ao grupo (as cinco derrotas consecutivas, de 2004 a 2020); e usei linguagem neutra, “grupo” e “oposição”. Isso não elimina o viés. Só permite que ele seja conferido.

13 · O que este estudo demonstra

Habilidades, uma a uma, e onde aparecem

Este quadro liga cada habilidade a um trecho verificável do estudo e do repositório. Nada aqui deixa de poder ser conferido no código ou nos dados.

HabilidadeO que foi feitoOnde ver
SQLBanco SQLite com as seis eleições (5 tabelas e 2 views) e cinco consultas com CTEs, funções de janela e junções, conferidas automaticamente contra o pipeline em pandas.Seção 03; pasta sql/ e scripts/sql_estudo.py
Pipeline e qualidade dos dadosIngestão de extratos do TSE e do IBGE que mudam de formato entre 2004 e 2024, regras de limpeza explícitas e cobertura declarada. A conferência cruzada entre SQL e pandas apontou e corrigiu um erro de base nos percentuais por seção (brancos e nulos dentro do total).Seções 02 e 03; Tabela 3.1
VisualizaçãoGráficos interativos em TypeScript, React e Recharts, mapa dos distritos com polígonos do IBGE, texto alternativo nos gráficos, leitura em celular e PDF gerado da própria página.Seções 04 a 11
EstatísticaVariações em pontos percentuais por seção e distrito, coerência entre o voto para prefeito e para vereador em cada seção, cenários de sensibilidade para 2028 em R com hipóteses declaradas e limites de inferência explícitos.Seções 05, 11 e 12
Narrativa com dadosArco de vinte anos (cinco derrotas, a virada, o território, o financiamento, os cenários), figuras numeradas com legenda que dá a conclusão, versões em português e inglês e conflito de interesse declarado.Seções 00 a 12
ReprodutibilidadeCada número liga a um extrato público do TSE ou do IBGE, os passos de execução estão no repositório e os resultados desfavoráveis ao grupo foram mantidos.Seções 02 e 12; README do repositório